segunda-feira, 25 de abril de 2011

NOVO NASCIMENTO - MATHEUS HENRIQUE

Matheus Henrique Albquerque Batista nasceu na carne em 14.09.2004, e nasceu do Espirito em 24.04.2011. Domingo de Pascoá. Culto noturno.

sábado, 2 de abril de 2011

Deus e Amor. Deus ama a todos. Deus odeia alguns.



O AMOR DE DEUS
I - Conceito de Amor Divino
Não há uma definição precisa e absoluta do significado do amor divino, mas emanações e significações expressivas e verdadeiras das escrituras que exemplificam e comprovam a sublimidade e magnificencia do amor divino.

“Antes de qualquer outra coisa, devemos entender que amor, todo amor, procede de Deus. Isto significa que amor não é o que o mundo chama de amor. O mundo fala de amor: amor paternal, amor marital, amor entre amigos, etc. O mundo fala sobre amor em muitos sentidos. De fato, o mundo fala de amor como a cura para todos os seus problemas. Tudo o que o mundo precisa, assim é dito, é um pouco de amor. Isto não é amor. Na melhor das hipóteses, isto é apenas uma certa afeição ou atração natural. No resto, ela é apenas terrena, sensual e diabólica; ela pertence à luxúria da carne, à luxúria dos olhos e ao orgulho da vida. O amor do mundo, de fato, é o próprio oposto do amor de Deus. O amor do mundo é ódio contra Deus, Seu Cristo e Seu povo. Isto é tudo o que ele pode ser. Não importa quão docemente o mundo possa falar sobre amor; ele odeia a Deus e a Sua causa. Esta não é meramente minha opinião, mas é a Palavra de Deus. A Bíblia ensina que "a mente carnal (literalmente, a mente da carne, R.D.D.) é inimizade (ódio) contra Deus; ela não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, pode ser" (Romanos 8:7). Positivamente, o amor é de Deus. Deus é a única fonte de todo amor. Não pode haver nenhum amor fora de Deus. Isto significa que o único amor que existe é o amor de Deus. Amor é um atributo de Deus, uma característica do seu ser divino, juntamente com outras características tais como santidade, graça, misericórdia, etc. E se podemos fazer comparações, amor é a característica principal do ser de Deus. Em 1 João 4:8 lemos a declaração absolutamente impressionante de que "Deus é amor." Deus é amor. Nós não lemos isto das outras virtudes de Deus, pelo que é do meu conhecimento. Lemos que Deus é o Deus de toda graça, que ele é misericordioso, santo, cheio de longanimidade, etc. Mas em 1João lemos que Deus é amor. Isto significa que, não importa o que mais Deus possa ser, ele é preeminentemente amor. O amor pertence à própria essência do ser de Deus. Em tudo que Ele é e em tudo o que Ele pensa, deseja, determina e faz, Ele é amor. Deus como Deus, o Todo-poderoso, o Criador soberano, o Sustentador de todas as coisas, e o Redentor dos Seus eleitos em Cristo – em tudo isso, Deus é amor. O que é este amor? Em Colossenses 3:14 lemos que: a caridade (amor) é o vínculo da perfeição. Amor é um vínculo. Ele une ou torna um. No amor, dois se tornam um. Eles são unidos num vínculo com uma mente, uma vontade e um desejo. Amor é uma unidade na comunhão. O que é mais: amor é o vínculo da perfeição—isto é, da perfeição moral. Isto é o que a Bíblia chama de santidade. Este é o tipo de vínculo que o amor é. Este, a propósito, é precisamente o porquê o amor não pode existir no mundo de pecado e incredulidade. O amor une num vínculo de justiça e de bondade moral. E novamente, que seja enfatizado, o amor procede primariamente de Deus. Deus o Pai, Filho e Espírito Santo vivem num vínculo íntimo de comunhão, um vínculo baseado na perfeição da justiça e santidade do próprio Deus. Deus ama a Si mesmo e não precisa de ninguém fora de Si. Deus vive no vínculo da perfeição.Mas na realidade o temor não tem fundamento. Por que? Porque o conceito Arminiano do amor de Deus não é um conceito do amor de Deus, mas sim um conceito distorcido e corrompido do amor de Deus. A ênfase sobre o conceito bíblico do amor de Deus (como exposto nos Credos Reformados) não leva ao Arminianismo, mas é o golpe mortal contra o Arminianismo. Ao mesmo tempo ele é o conforto certo e permanente do povo de Deus. Portanto, a igreja deve enfatizar o amor de Deus. Ela deve fazer isso para que a verdade possa ser conhecida e defendida, para que o povo de Deus possa ser confortado e para que o nome de Deus possa ser glorificado!“ (Robert D. Decker, Prof.
Mas para um estudo inicial devemos entender que o amor divino expressa a Glória de Deus, portanto entendemos que todos os atributos divinos são entrelaçados e manifestações do amor divino em graus ou fundamentos diferenciados. Como por exemplo: Deus ama os animais mas não os salvou, Deus ama Lúcifer e anjos caídos mas não os salvou, mas essa qualidade de amor não é absoluta, pois Deus odeia aqueles praticam a iniquidade. Se Deus ama? Por que não destruir aqueles que praticam a iniquidade, entretanto, o Senhor não querendo destruir o trigo celestial destinado a salvação, poupa temporariamente o joio infernal, para não destruir os eleitos com os iniquios condenados pela justa ira de Deus; e esta santa ira nada mais é do que a plena manifestação do amor de Deus por Sua santidade.

Sabemos, que Deus ama a sí acima de todas as coisas; Deus ama em santidade e harmonia, a si na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ira manifestar a Sua Suprema Glória, salvando os eleitos, e condenando os repóbros, demonstrando o absoluto e supremo bem maior do Seu Amor.

Por fim, concluimos que devemos partir de um ponto crucial para tentarmos sermos iluminados por Deus sobre o Seu amor. Deus ama a si absoluta, perfeita e completamente. Deus ama a Sua santidade, e julgará e exercerá a Sua santa ira sobre aqueles que Ele quiser ou sobre aqueles que não amarem a Sua Glória.

II - O Amor Bíblico

As escrituras nos transmitem 04 maneiras do Amor Glorioso de Deus para com os povos e os indivíduos que Deus manifestou a humanidade nas eras.

Da mesma maneira, sabemos que as escrituras nos apresentam quatro maneiras de amor (ágape, fíleo, eros e stergo), o Amor de Deus (ágape) se desdobra nas escrituras na manifestação e contemplação de 04 formas basilares e graduadas, tendo como objeto distintos, a saber:

1. O amor de Deus por si mesmo;
2. O amor de Deus por todas as obras de suas mãos (criação);
3. o amor pelo mundo (humanidade) (Jo 3:16);
4. O amor seletivo.2

1. O Amor de Deus por sí mesmo

Jonathan Edwards, categoricamente afirma que “Devemos sempre considerar que o objetivo de Deus na criação do mundo, o fim último que tinha em vista, era a comunicação de si mesmo, intentada por Ele por toda a eternidade [desde a criação e para sempre no futuro]. E, se observarmos com atenção a natureza e as circunstâncias dessa emanação eterna de bem divino, ficará mais claro DE QUE MODO, ao fazer desse o Seu fim, Deus demonstra uma reverência suprema por si mesmo e faz de si mesmo o Seu fim”.

2. O amor de Deus a toda as obras de suas mãos (criação)

Deus, no Seu infinito conselho e propósito presciente determinou de antemão os designios de cada criatura, os seus atos, bem como, a queda da criação, resolveu em Sua Graça Maravilhosa criar o Universo, amando a Sí mesmo e Sua Glória, determinando, mesmo que temporariamente, aqueles que destinados a ira vindoura, fossem criados para experimentarem o sublime amor de Deus.

3. O amor ao Mundo (Jo 3:16)

“Por que Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigenito para que todo aquele que Nele crea não pereça, mas tenha a vida eterna”

3.1. Como Deus Ama o Mundo

Jonh Piper3 diz que “a questão diante de nós hoje é como Deus ama o mundo de acordo com João 3:16. Jesus disse: "Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." É muito importante que nós deixemos a Bíblia defina o que quer dizer por amor em cada passagem. Não devemos trazer todas as nossas suposições sobre o amor e fazer a Bíblia dizer o que pensamos que o amor deve ser. Algumas grandes coisas parecem óbvias desse versículo:.
1.Deus ama o mundo, ou seja, Ele ama a grande totalidade dos caídos, seres humanos pecadores.
2 .O amor é de tal natureza, intensidade e magnitude que levou Deus a dar seu Filho para morrer pelo mundo (João 10:17-18).
3. Um propósito incontestavelmente claro e efetivo desse amor, e dessa dádiva do Filho, é que "todo aquele que Nele crê não perecerá, mas tenha a vida eterna." Em outras palavras, este amor abre uma porta real, para que todo aquele que crê no Filho entre na vida eterna.
4.Portanto, esse amor é indiscriminado. Pode ser declarado, prometido e aplicado a todos, sem exceção. Porque o que esse amor diz é: "Se você crer no meu filho, darei a você a vida eterna. Eu posso fazer isso justamente porque o meu filho cancelou as dívidas de todos os que creem. Se você crer, os teus pecados são cancelados. Meu amor por você é este: Eu dei meu Filho, para que confiar Nele seja a única condição para viver comigo para sempre “.
Continua Jonh Piper a afirmar que para cada Ser Humano, podemos dizer que Deus ama você. Sim. E é assim que Ele te ama: Ele deu seu Filho para morrer, de modo que se você viesse a crer, seus pecados seriam perdoados e você teria a vida eterna". Isso é o que o amor de Deus significa, promete e faz em João 3:16. E é por isso que este versículo tem sido tão incrivelmente abençoado por Deus ao longo dos séculos em trazer pessoas a Cristo e à salvação. Ele expressa o que nós amamos chamar de a livre oferta do evangelho. Não há limites para esta oferta: Ela vai para todas as pessoas de todas as etnias e de todas as idades e categorias sócio-econômicas e, melhor de tudo, a cada grau de pecador - do mal ao pior". Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho únigenito, para que todo aquele que - indiscriminado e universal - Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

Concordamos com pastor da Igreja Batista de Bethelem, pois, a Bíblia exalta a natureza e os atributos de Deus, pois, o fato de Deus poder categoricamente amar todas as criaturas dignifica a sua Pessoa, exaltando a sua majestosa glória.

Esta palavra demonstra que o Todo Poderoso é essencialmente Amoroso, e é um ser sentimentalmente exaltado em santidade, que tolera por tempos oportunos e inoportunos a ignorancia e o pecado humano, não consumindo a humanidade no furor de Sua santíssima ira. Portanto, tal palavra testifica que Deus demonstra amor de alguma forma as criaturas, mesmo estando elas debaixo da ira divina. O cálice de Deus é derramado sobre os homens e sobre a terra na medida que sua vontade colabora para isso. Portanto, ninguém poderá alegar que a generosidade e caridade divina não foram demonstrados a todos os homens, para aqueles que rejeitam a mensagem o justo pagamento pelos seus pecados, e para aqueles que creem com fé salvadora, e pela graça é concedido os dons imerecidos e galardoadores aos escolhidos.

A chamada é universal é potencialmente concedida aos homens que podem oportunamente ouvirem a mensagem do evangelho. A missão da igreja é propagar essa mensagem a todos os homens da terra, talvez, alguns não sejam ouvintes dessa mensagem e venham a perecer, de forma nenhuma retira o resplendor a glória divina, pelo contrário Deus mesmo julgará os culpados pelo omissão da pregação do evangelho, e Deus não será culpado se soberanamente não permitir que algum lugar ou etnia venha o evangelho a ser ministrado, ou que ele mesmo impossibilite que os homens conheçam a mensagem gloriosa do tesouro de Deus, Jesus Cristo.

Então, qual é controversa sobre isso? Nenhuma. A menos que você tente fazer essa expressão do amor de Deus anular outra expressão do amor de Deus - que é o que muitas pessoas fazem com esse versículo. Esta é uma grande tristeza e rouba a igreja de um dos seus grandes tesouros.

Conforme Jonh Piper, podemos compreender que Deus pode se expressar através de 03 (três) outras formas ou tipos do amor de Deus na Bíblia – duas das quais ninguém tenta anular usando João 3:16, mas uma das quais muitas pessoas tentam anular usando João 3:16.

Devemos ver e crer em todos os quatro tipos de amor divino, e que os experimentemos e nos beneficiemos, pessoalmente, de todos eles da forma como a Bíblia os apresenta entendendo verdadeiramente o significa singular de cada um para nós.

Cada um desses divinos amores têm o seu lugar. Todos eles são ordenados e estabelecidos a nos para abençoar, ajudar, fortalecer e libertar na entrega de nossas vidas aos outros.

Jonh Piper disserta cada um dos amores anteriores elencados da seguinte forma:

“1) o Amor de Deus por Seu Filho
Primeiro, há o amor de Deus por Seu Filho e o amor do Filho pelo Pai. João 3:35: "O Pai ama o Filho e entregou tudo nas suas mãos." Em João 14:31, Jesus diz: "Eu faço como o Pai me ordenou, para que o mundo saiba que eu amo o Pai".
O amor de Deus para com os outros membros da Trindade é diferente do seu amor por nós, porque não há pecado a ser subjugado. Se Deus nos ama, Ele nos ama apesar do nosso pecado. Deus Pai não ama o Filho apesar de nada. Tudo sobre o Filho é infinitamente digno de amor.
2) O Amor de Deus por Sua Criação
Segundo, Deus ama sua criação e a sustenta com seus cuidados, até mesmo para o uso de seus inimigos. Por exemplo: "O Senhor é bom para todos, e sua misericórdia é sobre tudo o que fez" (Salmo 145:9). Ou em Mateus 5:44-45 Jesus nos ordena: "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos." Então, o amor de Deus o move para fornecer a chuva e o sol, onde não são merecidos. Jesus chama isso de um exemplo de amor pelos seus inimigos, e um exemplo de como devemos amar nossos inimigos
Ninguém usa João 3:16 para minar esses dois tipos de amor divino. Então, nós conhecemos três maneiras em que Deus ama:
I) Ele ama seu Filho infinitamente digno de amor.
II) Ele ama a sua criação e a sustenta, mesmo em benefício de seus inimigos.
III) Ele ama o mundo, enviando seu Filho e abrindo as portas da vida eterna para quem crer Nele.
3) O Amor de Deus por Seus Escolhidos: O Povo do Pacto
Mas a experiência mais preciosa do amor de Deus ainda não foi descrita. Essa é o amor de Deus que o move a ir além da oferta gratuita do evangelho e escolher um povo para si, trazê-los para Si na fé, e fazer com eles pessoais alianças eternas. Saber que você é amado dessa maneira é a maior experiência de todas.
Você poderia chamar isso de amor eletivo de Deus, ou amor regenerativo de Deus, ou amor da aliança de Deus. Com esse amor, Deus faz mais do que oferecer. Ele supera a rebelião e a resistência para que esses amados recebam a oferta”.

Deixe-me tentar mostrar isso de várias maneiras


Entendemos que Deus não utiliza a filosofia grega ou a sabedoria humana, aquela adquirida pelos sábios deste mundo para explicar as coisas celestiais, mas escolheu as coisas pequenas, ignorantes, infantis, desprezíveis, sem lógica para confundir os sábios desta terra.

De um lado, a linguagem bíblica parece-nos dúbia e contraditória, mas Deus, ao conversar com o homem, no seu nível, utiliza uma linguagem simples e aparente contraditória, como a linguagem de um adulto com uma criança. A bíblia é narrada com uma linguagem antropomórfica.

Como por exemplo, verificamos o dialogo de Deus e Adão. Deus pergunta algo que Ele já sabe, mas provoca o homem para que Ele confesse os seus pecados, descubra o motivo de sua condenação e dialogue: “Onde estás? Quem te mostrou que estavas nu? Por que fizeste isso? (Gn.3:9,11,12).

Outro exemplo clássico temos no dilúvio, Deus determinou salvar o patriarca Noé e sua família (Gn.6:8-10,18, Gn 7:1, II Pe 2:5), mas ordenou que Noé anunciasse aos seus concidadãos o juízo divino (Gn.6:13, Gn 8:7). Deus não perdoou o anjos caídos e nem o mundo antigo pré-diluviano (I Pe 2:4-5). Seria para salvá-los ou para condená-los?. A arca seria povoada pelos animais ou pelos homens arrependidos? O homem honesto percebe nisto pelo menos a soberania de Deus. Deus anunciou a salvação daqueles da arca e condenação para aqueles que andavam em rebelião (II Pe 2:5).


Portanto, a salvação para aqueles que creem, aqueles que Deus chamou por Seu decreto, foram classificados e escolhidos dentre todos os povos e etnias para formar um povo especial preparado para as boas obras, daí, concluimos que a perdição para os repóbros faz parte dos propositos divinos, não havendo oportunidade fora dessa vida, assim pecam os arminianos da teoria universalista quando se utilizam da lógica e do sentimento humana ao dizer que Deus é amor, portanto, julgam, que Ele não permitirá que os homens sejam lançados no inferno, mas se mesmo assim o fizer, será por motivo terapeutico ou temporário, mas no fim de tudo, todos serão salvos.

Entendemos, que a linguagem biblica apresenta uma mão dupla, onde harmoniosamente a Soberania de Deus e a Responsabilidade Humana, traçam uma linha reta, contínua e equilibrada estabelecendo a vontade suprema de Deus e a culpabilidade do homem.

Concluimos, que a escritura nos apresenta a mensagem cabal que Deus preordenou as ocorrencias históricas da criação, fazendo Sua vontade prevalecer sobre a vontade humana, portanto, quando a escritura diz que os planos dos homens serão frustados pelos planos de Deus; não querenos negar de modo algum esta verdade inegavel da palavra de Deus, pois até mesmo os relatos biblicos nos comprovam com exemplos objetivos que Deus reina sobre as vontades humanas. Como por exemplo, verificamos que Deus ordenou a Moisés que liberte o povo de Israel do Egito do poder do Rei Faraó (Ex.3:6-8), mas o Senhor sabia que o Faraó não obedeceria a voz do Senhor (Ex.3:19-20), mas, o próprio Deus diz o Ele endureceria o coração de Faraó (Ex.4:21, Ex.9:12, Ex.10:1,20,27, Ex.11:10, Ex.14:4,8,17, Rm.9:17-20). De um lado, constatamos que o Rei do Egito endurece o seu coração, de outro lado, o diabo endurece o coração de Faraó (Ex.7:13-14,22; Ex.8:15,18-19,32; Ex.9:7,34-35. A própria escritura afirma que foi assim para que fosse demonstrado o Poder Soberano de Deus sobre todas as coisas, fatos e pessoas (Ex.6:1,Ex:9:13-16,21, Ex.10:1-2, 11:9, Ex.14:4,14,17,18, Rm.9:17-20), e por fim, os livro de provérbios deixa registrado que o coração do Rei está nas mãos do Senhor “como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; este, segundo o Seu querer, o inclina” (Pv 21.1)

4. O Amor Eletivo, ou amor regenerativo de Deus, ou amor da aliança de Deus

“A maravilha é que Deus amou e ainda nos ama! Ele nos amou na eternidade. Antes da fundação do mundo, Deus, em seu amor, nos predestinou para sermos conformados à imagem do seu Filho (Efésios 1). Deus, que não tinha necessidade de nós, determinou colocar seu amor sobre nós e nos tomar em sua comunhão pactual. Este amor de Deus é certamente manifesto em Cristo e na sua cruz. "Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16) "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8). Deus nos amou tanto que Ele deu seu Filho primogênito à cruz, às agonias do inferno, à morte e ao sepulcro por nós. Olhando para este amor maravilhoso de Deus e considerando nossa indignidade como pecadores depravados e imundos, só podemos exclamar com o apóstolo inspirado: "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus ..." (1João 3:1). Este é o amor de Deus! Vede que grande amor de Deus! Maravilhe-se e seja grato por ele.” Existem exemplos clássicos do amor eletivo de Deus estão repletos na Bíblia:

I. Jó foi poupado da geração corrupta de Sodoma e Gomorra (II Pe. 2:6-7,9, Gn.18:26, Gn.19:1). O anuncio de livramento somente para os genros de Lo que rejeitam a mensagem salvifica (Gn.19:12-14,29)

II. Noé e sua família foram salvos e guardados do juizo divino no dilúvio universal (II Pe.2:5)

III. Deus amou a Jacó e aborreceu a Esaú" (Rm.9:10-13)

4.1. As Características do Amor
4.1.1. Amor Soberano
Este amor de Deus tem duas características principais ou dominantes. Em primeiro lugar, ele é um amor soberano. Isto está escrito em quase toda página da Escritura. Em Deuteronômio 7:7-8 encontramos Moisés se dirigindo a Israel: "Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava." O amor de Deus não dependia de algo em Israel. Na verdade, Israel se manifestou repetidamente como um povo rebelde e de dura cerviz. Não havia nada neles que os tornassem dignos do amor de Deus. A Bíblia ensina (cf. Efésios 1:3-11) que fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo Jesus, escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo e predestinados para a adoção de filhos por Cristo. E Deus fez tudo isto em amor, em seu soberano amor. Portanto, não há outra razão para a nossa eleição em Jesus Cristo do que o amor soberano de Deus. De acordo com esta mesma passagem da Escritura, este amor de Deus é de acordo com o bom propósito da sua vontade! Deus determinou livremente nos amar em Cristo. Então, há a passagem clássica de 1João 4:10: "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados." Literalmente, o texto diz: "Nisto está o amor ... " todo amor: o amor de Deus por nós e nosso amor a Deus e aos nossos irmãos em Cristo. Todo amor consiste nisto, não que tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou. O amor de Deus sempre vem primeiro. Aparte disso não poderia haver nenhum amor.
Este é o caráter soberano do amor de Deus. Negativamente, isto significa que o amor de Deus não depende de nada fora do próprio Deus. Deus coloca seu amor sobre Israel e o escolhe para ser seu povo, não por causa do valor ou amor de Israel, mas simplesmente porque Deus os amava. Em amor Deus escolheu seus eleitos em Cristo Jesus antes da fundação do mundo. Isto não aconteceu por causa de algo nos eleitos. Deus não precisa do nosso amor para nos amar. Seu amor é soberano. Ele nos amou de acordo com o bom propósito da sua vontade, sua determinação soberana. Positivamente, isto significa que o amor de Deus sempre vem primeiro. Ele sempre é a fonte de todo nosso amor, tanto a Deus como ao nosso próximo. De fato, o amor que está em nós não é nosso, mas de Deus.
Este é um golpe fatal contra todo Arminianismo. O Arminianismo faz o amor de Deus vir em segundo lugar. Deus ama todos os homens, de acordo com o Arminiano, mas ele não pode salvar ninguém, exceto o homem que o ame. Por conseguinte, de acordo com o Arminianismo, o amor do homem deve vir em primeiro lugar e então Deus poderá amá-lo. De acordo com esta visão, o amor de Deus não produz soberanamente o amor do homem, mas é dependente, controlado e limitado pelo homem—ele é uma resposta ao amor do homem. Isto é o oposto do precioso ensino da Bíblia e torna impossível todo conforto para o filho de Deus.
4.1.2. O Amor Particular
Robert D. Decker, Prof.4, escreve que “a segunda característica do amor de Deus é que ele é particular. Isto também está escrito em quase toda página da Escritura. A passagem clássica é Romanos 9:13: "Amei Jacó e odiei Esaú" (KJV). Alguns, de fato, tentam explicar que isso significa: "Amei menos a Esaú." Isso é tolice. A palavra é odiar.1 Deus odiou Esaú, embora seu amor estivesse sobre Jacó. Isto se tornou muito óbvio na história das duas nações que procederam de Jacó e Esaú. Israel era escolhido e precioso para Deus, enquanto Edom aparece como o inimigo réprobo da causa de Deus. Jesus ensinou a mesma verdade repetidamente. Nos capítulos seis e dez de João o nosso Senhor nos diz que ele veio para dar sua vida por aqueles a quem o Pai amava e tinha lhe dado: suas ovelhas. Ele disse aos incrédulos que eles não eram das suas ovelhas e, portanto, não o ouviam e seguiam.2 Em João 17 Jesus ora e ama aqueles a quem o Pai havia lhe dado, mas ele não ora pelo mundo.Tudo isto significa que o amor de Deus é particular. Ele é por seus eleitos em Cristo Jesus. A ira de Deus reside sobre o restante, que são vasos de ira preparados para a destruição (Romanos 9:22). Uma pessoa pode traçar isso também por toda a história da Bíblia. De acordo com Gênesis 3:15, Deus colocou inimizade entre a semente da mulher e a semente da serpente. Esta semente da mulher é Abel, Sete, Enoque, Noé, Sem (com Jafé habitando em suas tendas), Abraão, Isaque, Jacó, Israel, Davi, Cristo. Gálatas 3 ensina que esta semente é Cristo e todos os que estão nele pela fé. Esta semente é o amado do Senhor.”
Marcel Lopes Batista, seu servo, 02.04.2011


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

HARMONIA DA LEI E DO EVANGELHO

Resumo do Livro Lei, Graça e Santificação

Russel Phillip Shedd, em seu livro Lei, Graça e Santificação, desenvolve um assunto de extrema importância para uma vida cristã coerente com a vontade de Deus. Deus quer que sejamos santos ( separados exclusivamente para o Seu uso). No entanto, a santificação deve ser vista em duas perspectivas ? a da Lei e a da Graça. Com relação á Lei é sobre os seus propósitos e objetivos e a Graça sobre os seus resultados. O objetivo da Lei e o objetivo da Graça O alvo da Lei é nos fazer culpado diante de Deus. A Lei revela o caráter de Deus e nossa falibilidade em contraste com Ele. A Graça, por sua vez, é aquilo que o próprio Deus proveu para que pudéssemos viver segundo o padrão que Ele estabeleceu. A Graça é o único meio que temos para vivermos segundo o mandamento perfeito de Deus. Vamos olhar qual foi a maneira que o autor usou para argumentar e transmitir sua tese. 1. A culpabilidade do homem pela Lei de Deus. Os propósitos da Lei na vida o homem e torná-lo culpado diante de Deus. 2. O Cristianismo é uma religião baseada na Lei. O próprio Jesus quando veio ao mundo veio para cumprir a Lei e não para anulá-la. Vemos Jesus estabelecendo o Cristianismo sob as bases da Lei! Contudo, Ele cumpriu a Lei no seu mais significativo modo ? pelo amor. 3. O padrão de Deus só é alcançado com o auxilio de Sua Graça. A Graça capacita-nos a viver o padrão da Lei. 4. Evitar os falsos conceitos que somos levados a nos conformar com o uso errado da Lei ou da Graça de Deus. Três das nossas tendências mais fortes são citadas: O tradicionalismo, o formalismo e o legalismo. 5. Alcançando uma verdadeira santificação. Deus é santo e tem o desejo de seus filhos se tornarem como Ele, e para isso Ele nos deixa alguns caminhos: 1)Devemos olhar para Cristo e Ter fé no que Ele realizou. 2)Buscar um conhecimento mais profundo de Cristo. 3)Crer é essencial; mas um ?crer? seguido de um conhecer. 4) A fé se manifestando através do amor. A santidade é plenamente uma pratica de amor. Jesus veio nos revelar a essência de uma vida amorosa. Por fim é tratado a questão da vida no Espirito como agente da santificação. O Espirito é aquele que trabalha santidade em nossa vida. 6. O que a Bíblia nos fala sobre a santificação. Podemos notar que santificação é algo tratado em toda a Bíblia. No Antigo Testamento Deus usou símbolos, objetos, ritos, festas, etc. para expressarem Seu caráter santo. E nisto Ele tomou a exclusividade dela. Foi como se somente Deus se apropriasse deste atributo. 7. Minha experiência diária com a santidade do Senhor. Deus quer que santidade seja o alvo do dia a dia do Seu povo. A santidade na Bíblia deve ser compreendida como algo que temos que buscar continuamente. Era para isso os sacrifícios, as cerimonias, os ritos, as ofertas, os dízimos, etc. para que eles tivessem contato com a santidade de Deus no seu dia a dia. Em muitos aspectos da Bíblia ela apresenta a santidade como sendo algo ainda por ser revelado. Pois está em concordaria com a glorificação dos santos. O crente em Jesus nasce para ser santo, vive e morre no processo de santidade e terá a plenitude dela na eternidade. 8. A santificação produz frutos. A santificação influencia nossa vida com o próximo, com Deus e conosco mesmos. Com o nosso próximo a nível de sociedade, comunidade, cultura, etc., com Deus, em nosso relacionamento pessoal com Ele Pai, Filho e Espirito Santo, principalmente através da oração; e conosco mesmos a nível de mudança de atitudes e mentalidade. 9. Uma fonte inesgotável para a santificação. Descobrimos, então, a fonte rica para nos prover de porções necessárias para uma vida santa ? aBíblia. A Bíblia nos revela o Caráter de Deus. 10. Santidade e minha vida pessoal. Em outras palavras quero dizer o testemunho sábio e de amor de uma vida santa. Isto é o que faz o corpo tomar forma de corpo de Cristo. Santidade agora para a ser o meu estilo de vida em todos os aspectos. 11. Uma disciplina em rumo a santificação. Isto é, a santidade requer uma disciplina. você pode disciplinar sua santidade buscando a cada dia ser mais santo para o Senhor. Se a Lei expressa o caráter santo e justo de Deus e devemos viver segundo este padrão e não conseguimos por causa do pecado, o Próprio Deus proveu uma ajuda para que pudéssemos viver de acordo com o que Ele propôs? a Graça. A verdadeira Graça não nos permite viver libertinamente (sem lei alguma) mas, pelo contrario, ela requer um compromisso. E temos que Ter um bom entendimento dos dois para incorrermos em erros tais como o legalismo, o tradicionalismo e o formalismo. Pois santidade não é uma opção mas uma imputação que recebo na salvação; não é uma questão de escolha mas de identidade! Bibliografia: Shedd, Russel Phillip (Lei, Graça e Santificação. Ed. Vida Nova, São Paulo. 1990

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

VIRGEM MARIA


"UMA VIRGEM CONCEBERÁ"
Mateus 1:18-25
"Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. 
Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente.
E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo;
E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.
Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz;
Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco.
E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher;
E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus"

As escrituras indicam que Maria, a mãe do Senhor, foi considerada pecadora pelos seus contemporâneos pelo uso de porneia em João 8.41, porque os judeus indiretamente acusaram Jesus de ser nascido de porneia. Em outras palavras, uma vez que eles não aceitavam o nascimento virginal de Cristo, assumem publicamente que Maria havia cometido fornicação, e Jesus era resultado deste ato.
Baseada nessa pista da escritura torna-se extremamente elucidador o registro de Mateus do nascimento de Jesus em Mateus 1.18-20. 
Nesses versos, José e Maria são referidos como marido ( aner ) e esposa ( gunaika ). Ainda assim, eles são descritos como noivos somente (desposados). Isto provavelmente vem do fato de que as palavras para marido e esposa eram simplesmentem homem e mulher, e do fato de que o noivado era um comprometimento muito mais significante do que é hoje. No verso 19, José resolve “divorciar-se” de Maria. A palavra para “deixá-la” é a mesma palavra de Mateus 5.32 e 19.9; mas, mais importante que tudo, Mateus diz que José foi “justo” ao tomar a decisão de divorciar-se de Maria, presumivelmente por causa de porneia, fornicação.
Por um lado, denota-se que Mateus procede em construir a narrativa de seu Evangelho, em especial o capítulo 5 e depois no capítulo 19 proibindo todo casamento pós-divórcio (como ensinado por Jesus), porém, permitindo “divórcios” como aquele que José considerou como possibilidade, por pensar que sua noiva era culpada de fornicação (porneia).
Parece-nos que a epístola de Mateus sendo escrito para o público imediatamente Judeu,  inclui a cláusula de exceção em particular para exonerar José, mas também no geral para apresentar que o tipo de “divórcio” que alguém talvez procure durante um noivado por causa de fornicação não está incluído na proibição absoluta de Jesus.
À interpretação dada para Mateus 19.3-8 e Mateus 5.31-32, no que se refere ao argumento “não sendo por causa de prostituição” é irrelevante no contexto do casamento. Parece-nos que a resposta razoável á esta irrelevância é simplesmente o ponto aonde Mateus quer chegar.
Podemos, conclusivamente ter por certo que o rompimento de um casal de noivos por causa de fornicação de um deles não é um “divórcio” ruim e não proibe um outro casamento; na verdade, de um certo modo ocorreu a consumação do casamento com outro cônjuge.

Mogi,28.01.2011
Marcel, seu servo.






quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

HARMONIA DA LEI E DO EVANGELHO

Lei e Graça: Uma visão reformada

Mauro Fernando Meister*
É quase um paradigma para os cristãos modernos associar o Antigo Testamento à Lei e o Novo Testamento à Graça. Em várias oportunidades propus a estudantes de seminário e na escola dominical estabelecer o relacionamento entre os termos e, invariavelmente, a resposta tem sido a seguinte relação:
LEI — Antigo Testamento
GRAÇA — Novo Testamento

I. Estamos sob a Lei ou sob a graça?

Esse questionamento reflete um entendimento confuso do ensino bíblico acerca da lei e da graça de Deus. Muitos associam a lei como um elemento pertencente exclusivamente ao período do Antigo Testamento e a graça como um elemento neotestamentário. Isso é muitas vezes o fruto do estudo apressado de textos como:
...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado (Gálatas 2.16).
Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça (Romanos 6.14).
E, de fato, uma leitura isolada dos textos acima pode levar o leitor a entender lei e graça como um binômio de oposição. Lei e graça parecem opostos, sem reconciliação — o cristão está debaixo da graça e conseqüentemente não tem qualquer relação com a lei. No entanto, essa leitura é falaciosa. O entendimento isolado desses versos leva a uma antiga heresia chamada antinomismo, a negação da lei em função da graça. Nessa visão, a lei não tem qualquer papel a exercer sobre a vida do cristão. O coração do cristão torna-se o seu guia e a lei se torna dispensável.1 O oposto dessa posição é o legalismo ou moralismo, que é a tendência de enfatizar a lei em detrimento da graça (neonomismo). Nesse caso, a obediência não é um fruto da graça de Deus, uma evidência da fé, mas uma tentativa de agradar a Deus e de se adquirir mérito diante dele. Exatamente contra essa idéia é que a Reforma Protestante lutou, apresentando como uma de suas principais ênfases a sola gratia.
No século XVI, os católicos acusavam os reformadores de antinomistas, de serem contrários à lei de Deus. Até mesmo o grande reformador Martinho Lutero expressou preocupação quanto a alguns de seus seguidores que, em seu zelo de proclamar a graça por tanto tempo desprezada pela Igreja, acabavam por desprezar a Lei. Desde a reforma têm aparecido movimentos enfatizando um ou outro desses aspectos, lei ou graça, sempre de forma excludente. Um dos mais recentes movimentos nessa linha, enfatizando a graça em detrimento da lei, é o dispensacionalismo. Essa forma de abordagem surgiu no século XIX, caracterizando a lei como a forma de salvação no período mosaico e o evangelho como a forma de salvação na dispensação da igreja. Esse é, possivelmente, o movimento que mais influência exerce atualmente na interpretação do papel da lei e da graça entre os evangélicos ao redor do mundo.
Em uma direção oposta, outro grande movimento foi iniciado por Karl Barth, em seu livro God, Grace and Gospel, onde argüi por uma unidade básica entre lei e graça, direcionando seu pensamento para um novo moralismo.2 Para termos uma boa idéia de como o debate ainda é atual, em 1993 foi publicado o livro Five Views on Law and Gospel, da coleção Counterpoints, no qual cinco escritores evangélicos contemporâneos expressam diferentes pontos de vista sobre a relação entre a lei e o evangelho (graça).3 Sem sombra de dúvida, o assunto ainda está muito longe de apresentar um consenso entre os evangélicos.
As implicações da forma como entendemos a relação entre lei e graça vão muito além do aspecto puramente intelectual. Esse entendimento vai, na verdade, determinar toda a forma como alguém enxerga a vida cristã e que tipo de ética esse cristão irá assumir em sua caminhada. John Hesselink, um estudioso sobre a relação entre lei e graça, exemplifica que, na década de 1960, os cristãos proponentes da ética situacionista se levantaram contra leis, regras e princípios gerais, propondo uma nova moralidade.4 Esse movimento propõe que a ética das Escrituras não é absoluta, mas depende do contexto. Nem mesmo a lei moral de Deus é absoluta; ela depende da situação. Essa proposta surgiu e se desenvolveu dentro do cristianismo tradicional, alcançando seguidores de todas as bandeiras denominacionais, praticamente sem restrições. A lei não tem mais qualquer papel determinante na ética cristã; o que determina a ética cristã é o “princípio do amor,” conclui o movimento. A conseqüência dessa conclusão é que a graça suplanta a lei. As decisões éticas devem ser tomadas levando em consideração o princípio do amor. Tome-se por exemplo a questão do aborto no caso de estupro. Aprová-lo nessas circunstâncias é um ato de amor baseado no princípio do amor à mãe que foi estuprada. Ou mesmo a questão da pena de morte. Ela não se encaixa no princípio do amor ao próximo e, portanto, não pode ser uma prática cristã. Até mesmo situações como o divórcio passam a ser aceitáveis pelo princípio do amor. A separação de casais passa a ser aceitável pelo mesmo princípio. O mesmo acontece com o homossexualismo. Aceitar o homossexualismo passa a ser um ato de amor, e portanto, essa prática não pode ser considerada como pecado, ou, se assim considerada, é um pecado aceitável.
Mas seria essa a verdadeira conclusão do cristianismo e o verdadeiro ensino das Escrituras sobre a lei? É isso que o estudo das Escrituras e o cristianismo histórico nos ensinam? Nas páginas a seguir avaliaremos o pensamento de Calvino a respeito dessa questão e a aplicação calvinista refletida na Confissão de Fé de Westminster (CFW).

II. O Uso da Lei

Para entendermos bem o uso da lei precisamos entender o que são o pacto das obras e o pacto da graça. Assim, é prudente começarmos por esclarecer o que são esses pactos e qual o conceito de lei que está envolvido na questão.
Pacto das Obras e Pacto da Graça5 é a terminologia usada pela Confissão de Fé de Westminster6 para explicar a forma de relacionamento adotada por Deus para com as suas criaturas, os seres humanos. Mais do que isso, essa terminologia reflete o sistema teológico adotado pelos reformados, conhecido como teologia federal.7 De forma bem resumida, podemos dizer que o pacto das obras é o pacto operante antes da queda e do pecado. Adão e Eva viveram originalmente debaixo desse pacto e sua vida dependia da sua obediência à lei dada por Deus de forma direta em Gênesis 2.17 — não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.8 Adão e Eva descumpriram a sua obrigação, desobedeceram a lei e incorreram na maldição do pacto das obras, a morte.
O pacto da graça é a manifestação graciosa e misericordiosa de Deus, aplicando a maldição do pacto das obras à pessoa de seu Filho, Jesus Cristo, fazendo com que parte da sua criação, primeiramente representada em Adão, e agora representada por Cristo, pudesse ser redimida. Porém, a lei antes da queda não se resume à ordem de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A lei não deve ser reduzida a um aspecto somente. Existem outras leis, implícitas e explícitas, no texto bíblico. Por exemplo, a descrição das bênçãos em Gênesis 1.28 aparece nos imperativos sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e dominai. Esses imperativos foram ordens claras do Criador a Adão e sua esposa e, por conseguinte, eram leis. O relacionamento de Adão com o Criador estava vinculado à obediência, a qual ele era capaz de exercer e assim cumprir o papel para o qual fora criado. No entanto, o relacionamento de Adão com Deus não se limitava à obediência. Esse relacionamento, acompanhado de obediência, deveria expandir-se de maneira que nele o Deus criador fosse glorificado e o ser humano pudesse ter plena alegria em servi-lo. A Confissão de Fé nos fala da lei de Deus gravada no coração do homem (CFW 4.2). Essa lei gravada no coração do ser humano reflete o tipo de intimidade reservada por Deus para as suas criaturas.
Nesse contexto podemos perceber que a lei tinha um papel orientador para o ser humano. Para que o seu relacionamento com o Criador se mantivesse, o homem deveria ser obediente e assim cumprir o seu papel. A obediência estava associada à manutenção da bênção pactual. A não obediência estava associada à retirada da bênção e à aplicação da maldição. A lei, portanto, tinha uma função orientadora. O ser humano, desde o princípio, conheceu os propósitos de Deus através da lei. Tendo quebrado a lei, ele tornou-se réu da mesma e recebeu a clara condenação proclamada pelo Criador: a morte.
O que acontece com essa lei depois da queda e da desobediência? Ela tem o mesmo papel? Ela possui diferentes categorias? Por que Deus continuou a revelar a sua lei ao ser humano caído?

III. De que Lei estamos Falando?

A revelação da lei de Deus, como expressão objetiva da sua vontade, encontra-se registrada nas Escrituras. Esse registro, que começou nos tempos de Moisés, fala-nos da lei que Deus deu a Adão e também aos seus descendentes. Essa lei foi revelada ao longo do tempo. Dependendo das circunstâncias e da ocasião em que foi dada, possui diferentes aspectos, qualidades ou áreas sobre as quais legisla. Assim, é importante observar o contexto em que cada lei é dada, a quem é dada e qual o seu objetivo manifesto. Só assim poderemos saber a que estamos nos referindo quando falamos de Lei.
A Confissão de Fé, no capítulo 18, divide esses aspectos em lei moral, civil e cerimonial. Cada uma tem um papel e um tempo para sua aplicação:
(a) Lei Civil ou Judicial – representa a legislação dada à sociedade israelita ou à nação de Israel; por exemplo, define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições.
(b) Lei Religiosa ou Cerimonial – representa a legislação levítica do Velho Testamento; por exemplo, prescreve os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial.
(c) Lei Moral – representa a vontade de Deus para o ser humano, no que diz respeito ao seu comportamento e aos seus principais deveres.
A. Toda a Lei é aplicável aos nossos dias?
Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:
(a) A Lei Civil tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade. Os sabatistas erram ao querer aplicar parte dela, sendo incoerentes, pois não conseguem aplicá-la, nem impingi-la, em sua totalidade.
(b) A Lei Religiosa tinha a finalidade de imprimir nos homens a santidade de Deus e apontar para o Messias, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com sua vinda. Os sabatistas erram ao querer aplicar parte da mesma nos dias de hoje e ao mesclá-la com a Lei Civil.
(c) A Lei Moral tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões. Os sabatistas acertam ao considerá-la válida, porém erram ao confundi-la e ao mesclá-la com as outras duas, prescrevendo um aplicação confusa e desconexa.9
Assim sendo, é fundamental que, ao ler o texto bíblico, saibamos identificar a que tipo de lei o texto se refere e conhecer, então, a aplicabilidade dessa lei ao nosso contexto. As leis civis e cerimoniais de Israel não têm um caráter normativo para o povo de Deus em nossos dias, ainda que possam ter outra função como, por exemplo, ensinar-nos princípios gerais sobre a justiça de Deus. Portanto, a lei que permanece “vigente” em nossa e em todas as épocas é a lei moral de Deus. Ela valeu para Adão assim como vale para nós hoje. Isto implica que estamos, hoje, debaixo da lei?
B. Estamos sob a Lei ou sob a Graça de Deus?
Muitas interpretações erradas podem resultar de um entendimento falho das declarações bíblicas de que “não estamos debaixo da lei, e sim da graça” (Romanos 6.14). Se considerarmos que os três aspectos da lei de Deus apresentados acima são distinções bíblicas, podemos afirmar:
(a) Não estamos sob a Lei Civil de Israel, mas sob o período da graça de Deus, em que o evangelho atinge todos os povos, raças, tribos e nações.
(b) Não estamos sob a Lei Religiosa de Israel, que apontava para o Messias, foi cumprida em Cristo, e não nos prende sob nenhuma de suas ordenanças cerimoniais, uma vez que estamos sob a graça do evangelho de Cristo, com acesso direto ao trono, pelo seu Santo Espírito, sem a intermediação dos sacerdotes.
(c) Não estamos sob a condenação da Lei Moral de Deus, se fomos resgatados pelo seu sangue, e nos achamos cobertos por sua graça. Não estamos, portanto, sob a lei, mas sob a graça de Deus, nesses sentidos.
Entretanto...
(a) Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela continua representando a soma de nossos deveres e obrigações para com Deus e para com o nosso semelhante.
(b) Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela, resumida nos Dez Mandamentos, representa o caminho traçado por Deus no processo de santificação efetivado pelo Espírito Santo em nossa pessoa (João 14.15). Nos dois últimos aspectos, a própria Lei Moral de Deus é uma expressão de sua graça, representando a revelação objetiva e proposicional de sua vontade.10

IV. Os Três usos da Lei11

Para esclarecer a função da lei de Deus dada por intermédio de Moisés12 nas diferentes épocas da revelação, Calvino usou a seguinte terminologia:
A. O Primeiro Uso da Lei: Usus Theologicus
É a função da lei que revela e torna ainda maior o pecado humano. Segue o ensino de Paulo em Romanos 3.20 e 5.20:
...visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.
Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça.13
Calvino aponta para esse papel da lei diante da realidade do homem caído. Sendo o pecado abundante, vivemos no tempo em que a lei exerce o “ministério da morte” (2 Co 3.7) e, por conseguinte, “opera a ira” (Rm 4.15).
Cabe aqui uma nota sobre a terminologia dos reformadores (especialmente Calvino) a respeito da lei. A palavra lei é usada em pelo menos dois sentidos distintos, que devem ser entendidos a partir do contexto. Em alguns casos o termo lei é usado como um sinônimo de Antigo Testamento, da mesma forma como Evangelho é usado como um sinônimo de Novo Testamento. Em outros contextos o termo lei é usado como uma categoria especial referente ao seu uso como categoria de comando, um mandamento direto expressando a vontade absoluta de Deus sobre alguma coisa, sem promessa. É dessa forma que Calvino interpreta a lei em 2 Co 3.7, Rm 4.15 e 8.15. Nesse sentido, o binômio que se confirma é o binômio Lei x Evangelho. O mandamento que não traz salvação versus a graça salvadora de Deus. Porém, não podemos esquecer que é o próprio Antigo Testamento que nos apresenta a promessa da salvação de Deus, a sua graça operante sobre os crentes da antiga dispensação.
Em Romanos, Paulo aponta para a perfeição da lei, que, se obedecida, seria suficiente para a salvação. Porém, nossa natureza carnal confronta-se com a perfeição da lei, e essa, dada para a vida, torna-se em ocasião de morte. Uma vez que todos são comprovadamente transgressores da lei, ela cumpre a função de revelar a nossa iniqüidade.
Explicando isso, Calvino comenta:
Ainda que o pacto da graça se ache contido na lei, não obstante Paulo o remove de lá; porque ao contrastar o evangelho com a lei, ele leva em consideração somente o que fora peculiar à lei em si mesma, ou seja, ordenança e proibição, refreando assim os transgressores com a ameaça de morte. Ele atribui à lei suas próprias qualificações, mediante as quais ela difere do evangelho. Contudo, pode-se preferir a seguinte afirmação: “Ele só apresenta a lei no sentido em que Deus, nela, se pactua conosco em relação às obras.14
B. O Segundo Uso da Lei: Usus Civilis
É a função da lei que restringe o pecado humano, ameaçando com punição as faltas contra ela mesma.15 É certo que essa função da lei não opera nenhuma mudança interior no coração humano, fazendo-o justo ou reto ao obedecê-la. A lei opera assim como um freio, refreando “as mãos de uma ação extrema.”16 Portanto, pela lei somente o homem não se torna submisso, mas é coagido pela força da lei que se faz presente na sociedade comum. É exatamente isto que permite aos seres humanos uma convivência social. Vivemos em sociedade para nos proteger uns dos outros. Com o tempo, o homem pode aprender a viver com tranqüilidade por causa da lei de Deus que nos restringe do mal. O homem é capaz, por causa da lei de Deus, de copiá-la para o seu próprio bem. É até mesmo capaz de criar leis que refletem princípios da justiça de Deus. Calvino menciona o texto de 1 Timóteo 1.9-10 para mostrar essa função da lei:
...tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina...
Assim, a lei exerce o papel de coerção para esses transgressores e evita que esse tipo de mal se alastre ainda mais amplamente no seio da sociedade humana. Essa ação inibidora da lei cumpre ainda um outro papel importante no caso dos eleitos não regenerados. Ela serve como um aio, um condutor a Cristo, como diz Paulo em Gálatas 3.24: “...de maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.” Dessa forma ela serviu à sociedade judia e serve à sociedade humana como um todo. Da mesma forma essa lei serve ao eleito ainda não regenerado. Ele, antes da manifestação da sua salvação, é ajudado pela lei a não cometer atrocidades, não como uma garantia de que não fará algo terrível, mas como uma ajuda, pelo temor da punição.
C. O Terceiro Uso da Lei
Esse uso da lei só é válido para os cristãos — ensina-os, a cada dia, qual a vontade de Deus.17 Segundo o texto de Jeremias 31.33, a lei de Deus seria escrita na mente e no coração dos crentes:
Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Se a lei de Deus está impressa na mente e escrita no coração dos crentes, qual a função da lei escrita por Moisés? Ela é realmente necessária? Não basta um coração convertido, amoroso e cheio de compaixão para conhecer a vontade de Deus? A “lei do amor” e a consciência do cristão orientado pelo Espírito Santo não bastam? Não seria suficiente apenas termos a paz de Cristo como árbitro de nossos corações? (Cl 3.15).
Creio que não é bem assim. A lei, assim como no Éden, tem ainda um papel orientador para os cristãos. Embora eles sejam guiados pelo Espírito de Deus, vivendo e dependendo tão somente da sua maravilhosa graça, a “lei é o melhor instrumento mediante o qual melhor aprendam cada dia, e com certeza maior, qual seja a vontade de Deus, a que aspiram, e se lhes firme na compreensão.”18 A paz de Cristo como o árbitro dos corações só é clara quando conhecemos com clareza a vontade de Deus expressa na sua lei. Deus expressa sua vontade na sua lei e essa se torna um prazer para o crente, não uma obrigação. Calvino exemplifica com a figura do servo que de todo o coração se empenha em servir o seu senhor, mas que, para ainda melhor servi-lo, precisa conhecer e entender mais plenamente aquele a quem serve. Assim, o crente, procurando melhor servir ao seu Senhor empenha-se em conhecer a sua vontade revelada de maneira clara e objetiva na lei.
A lei também serve como exortação para o crente. Ainda que convertidos ao Senhor, resta em nós a fraqueza da carne, que pode ser, no linguajar de Calvino, chicoteada pela lei, não permitindo que estejamos à mercê da inércia da mesma.
Vejamos alguns exemplos do relacionamento entre o crente do Antigo Testamento e o terceiro uso a lei. Primeiramente, podemos observar o prazer do salmista ao falar da lei no Salmo 19.7-14:
A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices.
Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos.
O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente justos.
São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.
Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa.
Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas.
Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão.
As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, SENHOR, rocha minha e redentor meu.
Que princípio de morte opera nessa lei, segundo o salmista? Nenhum. Para o regenerado, o crente no Senhor, a lei é prazer, é desejável, inculca temor, restaura a alma e lhe dá sabedoria. Isso de alguma forma parece contradizer os ensinos do Novo Testamento. O terceiro uso da lei é claro para o salmista. A lei em si não faz nenhuma dessa coisas, mas para o coração regenerado ela traz prazer e alegria. Na lei o salmista reconhece a sua rocha, o seu redentor, Jesus Cristo: “rocha minha e redentor meu.”
Observe também o Salmo 119.1-20:
Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do SENHOR.
Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração; não praticam iniqüidade e andam nos seus caminhos.
Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca.
Tomara sejam firmes os meus passos, para que eu observe os teus preceitos.
Então, não terei de que me envergonhar, quando considerar em todos os teus mandamentos.
Render-te-ei graças com integridade de coração, quando tiver aprendido os teus retos juízos.
Cumprirei os teus decretos; não me desampares jamais.
De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra.
De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos.
Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.
Bendito és tu, SENHOR; ensina-me os teus preceitos.
Com os lábios tenho narrado todos os juízos da tua boca.
Mais me regozijo com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas.
Meditarei nos teus preceitos e às tuas veredas terei respeito.
Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra.
Sê generoso para com o teu servo, para que eu viva e observe a tua palavra.
Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.
Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos.
Consumida está a minha alma por desejar, incessantemente, os teus juízos.
De onde vem esse desejo do salmista pelos juízos de Deus? Da lei que opera sobre o homem natural? Certamente que não. Mas para o homem regenerado a lei de Deus se torna objeto de desejo da alma. A lei é maravilhosa para aquele que tem os olhos abertos pelo Senhor. Amar a lei de Deus é ensino claro das Escrituras para os regenerados. Viver na lei de Deus é bênção para o cristão, para o salvo. Ela é o nosso orientador para melhor conhecermos a vontade do nosso Senhor e assim melhor servi-lo. Observe que o viver segundo a lei de Deus é considerado uma bem-aventurança, é como ter fome e sede de justiça.
Pergunto: O que seria do cristão sem a lei para orientá-lo? Como conheceria ele a vontade de Deus? (essa, aliás, é uma das perguntas mais freqüentes entre os crentes no seu dia-a-dia). Ele seria um perdido, buscando respostas em seu próprio coração, na igreja, no consenso eclesiástico, na autoridade de alguém que considerasse superior. Mas o crente tem a lei de Deus, expressando objetivamente qual é o desejo do Criador para a criatura, qual o desejo do Pai para seus filhos.
Mas essa visão da lei não nos traz de volta ao legalismo? Estamos então novamente debaixo da lei? Certamente que não. Para bem entendermos a posição bíblica expressa por Calvino sobre a lei no pacto da graça, precisamos entender também como ele relaciona Cristo e a Lei.

V. Cristo e a Lei

Precisamos entender que Cristo satisfez e cumpriu a lei de forma plena e completa. Ele não veio revogar a lei. Façamos uma breve análise de Mateus 5.17-19:
Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.
Alguns pontos interessantes são demonstrados por Jesus nessa passagem:
(a) Ele veio cumprir a lei e não revogá-la.
(b) A lei seria cumprida totalmente, em todas as suas exigências e em todas as suas modalidades (moral, cerimonial e civil) enquanto houvesse sentido em fazê-lo.
(c) Aquele que viola a lei pode chegar ao Reino dos Céus! (“aquele que violar...será considerado mínimo no reino dos céus.”) O sermão do monte é um sermão para crentes e o texto pode ser entendido dessa forma.
(d) Aquele que cumpre a lei será considerado grande no Reino dos Céus.
Como entender essas conclusões de Jesus com respeito a si mesmo e à Lei?
(a) Ele veio cumprir a lei e de fato a cumpriu em todas as suas dimensões: cerimonial, civil e moral. Não houve qualquer aspecto da lei para o qual Cristo não pudesse atentar e cumprir. Cristo cumpriu a lei de forma perfeita, sendo obediente até a própria morte. Ele tomou sobre si a maldição da lei. Ele se torna o fundamento da justificação para o eleito.
(b) Ele não só cumpriu a lei perfeitamente, mas também interpretou a lei de forma perfeita, permitindo aos que comprou na cruz, entendê-la de forma mais completa, mais abrangente.
(c) Os que nele crêem agora também podem cumprir os aspectos necessários da lei para uma vida santa. No entanto, esses que por ele são salvos não são mais dependentes da lei para a sua salvação. Por isso há uma diferença clara entre os que chegam ao Reino dos Céus: alguns serão considerados maiores do que outros.
(d) Cristo, ao cumprir a lei, ab-roga a maldição da lei, mas não a sua magisterialidade.19 A lei continua com o seu papel de ensinar ao ser humano a vontade de Deus. A ab-rogação da maldição da lei é aquilo a que Paulo se refere em textos como Rm 6.14 e Gl 2.16 — estamos debaixo da graça! A lei continua no seu papel de nos ensinar, pela obra do Espírito Santo. Não somos mais condenados pela lei nem servos da mesma. A lei, por expressar a vontade de Deus, se nos torna um prazer.
Johnson resume o material sobre Cristo e a lei no pensamento de Calvino da seguinte forma:
O ponto principal, claro, é que Cristo cumpriu a lei em todos os aspectos, seja no vivê-la, no submeter-se à maldição da lei para satisfazer a sua exigência de punição dos transgressores, ou restabelecendo sobre outras bases a possibilidade de cumprir aquilo que a lei requer. Cristo, em outras palavras, satisfez tudo o que a lei exigiu ou pode vir a exigir da humanidade. A justificação que estava associada à lei agora pertence completamente a Cristo.20
Portanto, nossa obediência à lei não acontece e não pode acontecer sem Cristo. Tentar viver debaixo da lei, sem Cristo, é submeter-se à escravidão. Porém, obedecer à lei com Cristo é prazer e vida. Também, nesse sentido, Cristo é o fim da lei!

Conclusão

Como fica o aparente paradoxo inicial entre a Lei e Graça? Como corrigir essa visão distorcida? Mais uma vez creio que a visão correta da Confissão de Fé pode nos ajudar a entendê-lo:
Este pacto da graça é freqüentemente apresentado nas Escrituras pelo nome de Testamento, em referência à morte de Cristo, o testador, e à perdurável herança, com tudo o que lhe pertence, legada neste pacto.
Este pacto no tempo da lei não foi administrado como no tempo do Evangelho. Sob a lei foi administrado por promessas, profecias, sacrifícios, pela circuncisão, pelo cordeiro pascoal e outros tipos e ordenanças dadas ao povo judeu, prefigurando, tudo, Cristo que havia de vir; por aquele tempo essas coisas, pela operação do Espírito Santo, foram suficientes e eficazes para instruir e edificar os eleitos na fé do Messias prometido, por quem tinham plena remissão dos pecados e a vida eterna: essa dispensação chama-se o Velho Testamento.
Sob o Evangelho, quando foi manifestado Cristo, a substância, as ordenanças pelas quais este pacto é dispensado são a pregação da palavra e a administração dos sacramentos do batismo e da ceia do Senhor; por estas ordenanças, posto que poucas em número e administradas com maior simplicidade e menor glória externa, o pacto é manifestado com maior plenitude, evidência e eficácia espiritual, a todas as nações, aos judeus bem como aos gentios. É chamado o Novo Testamento. Não há, pois, dois pactos de graça diferentes em substância mas um e o mesmo sob várias dispensações (CFW 7.4–6).
Portanto, ao relacionarmos lei e graça devemos nos lembrar dos diversos aspectos e nuanças que estão envolvidos nesses termos.
Primeiramente, encontramos tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a graça de Deus. Ele não reserva a sua graça somente para o período do Novo Testamento como muitos pensam. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento podemos ver Deus agindo graciosamente, salvando aqueles que crêem na promessa do Redentor. Assim Abel, Enoque, Noé, Abraão e todos os santos do Antigo Testamento foram remidos. Nenhum deles foi salvo por obediência à Lei, ainda que o Senhor requeresse deles, assim como requer de nós, que sejamos obedientes.
Em segundo lugar, a lei opera para vida ou morte no pacto das obras e somente para a morte no pacto da graça. No pacto das obras, por mérito, o homem poderia continuar vivo e merecer a “árvore da vida.” Portanto, pela obediência o homem viveria. No pacto da graça a lei opera para condenação do homem caído. Porque o homem já está condenado, ele não pode mais cumprir a lei e ela lhe serve para a morte.
Por último, o crente se beneficia da lei estando debaixo da obra redentora de Cristo. O mérito de Cristo, sendo obediente à lei até as últimas conseqüências, compra-nos o benefício da salvação e a graça de conhecermos a vontade de Deus pela sua lei. O único modo de o ser humano ser salvo é submeter-se totalmente àquele que, por mérito, compra-lhe a salvação. Ainda aqui o homem é beneficiado pela Lei. Cristo a cumpre e declara justificado aquele por quem ele morre.
Portanto, o nosso gráfico do início deveria ser modificado para refletir a verdade bíblica sobre a Lei e a Graça de Deus:
Disp. do Antigo Testamento ------------------ Disp. do Novo Testamento
Obras
Graça – obras como fruto da fé
Lei Evangelho – obediência à lei como conseqüência
Lei –justifica na obediência
Lei – condena o não eleito
Usus Theologicus
“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (João 14.21).

Notas

1 Sobre esse assunto, verificar o artigo W. R. Godfrey, “Law and Gospel,” em New Dictionary of Theology, eds. Sinclair Ferguson e David F. Wright (Leicester: InterVarsity, 1988), 379.
2 Ibid, 380.
3 Greg Bahnsen et al., Five Views on Law and Gospel (Grand Rapids: Zondervan, 1996). Os cinco autores são Greg Bahnsen, Walter Kaiser Jr., Douglas Moo, Wayne Strickland e Willem VanGemeren.
4 John Hesselink, “Christ, the Law and the Christian: An Unexplored Aspect of the Third Use of the Law in Calvin´s Theology,” em B. A. Gerrish, Refomatio Perennis (Pittsburgh: Pickwick Press, 1981), 12.
5 Calvino usa com certa freqüência a expressão pacto da graça [por exemplo, Comentário à Sagrada Escritura: Romanos (São Paulo: Parácletos, 1997), 277; As Institutas, vol. 2, trad. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1985), 3.17.15; 4.13.6. (A numeração refere-se ao livro, capítulo e parágrafo respectivamente. A citação da página, quando necessária, vem após o parágrafo, separada por vírgula).
6 Adotada como padrão de fé pela Igreja Presbiteriana do Brasil e por várias outras igrejas reformadas no mundo.
7 Ver meu artigo “Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto,” Fides Reformata 3.1 (1998), 110-122, especialmente 111-112.
8 Mais detalhes sobre a lei em “Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto (II),” Fides Reformata 4.1 (1999), 89-102.
9 F. Solano Portela, “Pena de Morte - Uma Avaliação Teológica e Confessional”, publicação eletrônica - http://www.ipcb.org.br/publicacoes/pena_de_morte.htm
10 Ibid.
11 Uma discussão muito esclarecedora do assunto se encontra em Merwyn S. Johnson, “Calvin’s Handling of the Third Use of the Law and Its Problems,” Calviniana: Ideas and Influences of Jean Calvin, 10 (1988), 33-50.
12 As Institutas, 2.7.1, 109.
13 Ibid., 2.7.7.
14 Calvino, Romanos, 277. Parte do comentário de Romanos 8.15.
15 As Institutas, 2.7.10.
16 Ibid., 2.7.10, 119.
17 Ibid., 2.7.12
18 Ibid., 2.7.12, 121.
19 As Institutas, 2.7.14, 123.
20 Johnson, “Calvin’s Handling,” 44.


 


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

HARMONIA DA LEI E DO EVANGELHO

Por que a Lei foi dada?1
Por John Piper

Um dos meus grandes desejos para a nossa igreja é o de que sejamos um povo que entende a Lei de Deus e a cumpre no Espírito de amor. A lei que Deus deu a Moisés no Monte Sinai, poucos meses depois de trazer o povo para fora do Egito, foi vítima de algumas más impressões no passado, por algumas centenas de anos. A minha opinião é a de que existe muita confusão em nossa mente quando lemos por um lado Romanos 6:14: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça”, mas, por outro lado, Romanos 3.31: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei”. 

Os equívocos quanto à Lei Mosaica

Parte da nossa confusão é causada pelo simples fato de que a palavra “lei” no Novo Testamento tem, pelo menos, três diferentes significados quando usada em diferentes contextos. Pode referir-se ao Antigo Testamento inteiro, como em Romanos 3:19 (onde as citações precedentes vêm dos Salmos e dos Profetas). Pode referir-se à parte do Antigo Testamento, como quando Jesus disse: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.” (Mateus 5.17). Especificamente, pode referir-se à parte do Antigo Testamento escrito por Moisés, os cinco primeiros livros, chamado de Torá. Por exemplo, Jesus disse em Lucas 24.44: “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse... Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos”. O terceiro significado da palavra “lei” diz respeito não a uma parte diferente do Antigo Testamento, mas ao Antigo Testamento entendido de uma maneira diferente. Veremos logo à frente o quanto Israel distorceu a Lei Mosaica em legalismo. Isto é, eles a separaram de seu fundamento de fé, falharam em enfatizar a dependência do está errada. Ela faz de Moisés um Fariseu legalista, transforma a Torá na mesma heresia que Paulo condenou na Galácia, e (o pior de tudo) faz de Deus o seu próprio inimigo, ordenando aquele povo a tentar merecer Sua bênção (e, assim, exaltar a si mesmo) em vez de descansar em Sua misericórdia toda-suficiente (e, assim, exaltá-Lo).
Tentarei defender Moisés desse equívoco dando a vocês, em poucas palavras, uma teologia bíblica da Lei. Esse é um tópico enorme, mas, se nos esforçarmos juntos neste pequeno esboço, podemos plantar essa semente na nossa mente até que ela cresça e vire uma grande árvore de discernimento. Aqui está o que eu farei: mencionarei os cinco pontos que quero expor, então voltarei e darei a base bíblica para cada um deles, para depois resumi-los todos em seguida. Fecharemos cantando a beleza da Lei de Deus com o Salmo 19.  Primeiro: a Lei é cumprida quando amamos nosso próximo. Segundo: o amor é o resultado da autêntica fé salvífica. Terceiro: portanto a Lei não chama por obras meritórias, mas por obediência que flui da fé. Quarto: sendo assim, devemos obedecer os mandamentos do Antigo Testamento da mesma maneira que devemos obedecer os mandamentos do Novo Testamento – não para merecermos o favor de Deus, mas porque nós já dependemos de sua livre graça e confiamos que seus mandamentos conduzirão à completa e duradoura alegria. Quinto: devemos ter prazer na Lei de Deus, meditar nela de dia e de noite, e cantar sobre o seu valor para todas as gerações.

O amor cumpre a Lei.
Em primeiro lugar, o amor é o cumprimento da Lei. O texto crucial aqui é Romanos 13:8-10:
“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. (Veja também Gálatas 5:14) “
Paulo não estava correndo um grande risco quando resumiu a Lei inteira em um mandamento. Ele tinha a autoridade de Jesus para assim o fazer. Jesus disse em Mateus 7:12: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.”. Tiago disse de forma um pouco diferente: “Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.” (Tiago 2:8). Então, temos três testemunhos no Novo Testamento de que o que Deus está tentando fazer por meio da Lei é fazer de nós pessoas amorosas. Cada mandamento, diz Romanos 13:9, tem o amor como seu objetivo. Então, o primeiro ponto em nossa resumida teologia da Lei é que a Lei é cumprida em nós quando amamos o nosso próximo.

O amor é fruto da fé

O segundo ponto é: o amor não é uma obra que nós fazemos por nós mesmos para termos mérito com Deus; ele é o fruto da fé nas promessas de Deus. Seguramente, o genuíno amor conduzirá a grandes obras. Mas não é sinônimo de obras. É maior do que as obras, antecede as obras e habilita as obras. Há várias pessoas que laboram para Deus e para o próximo que não o fazem por amor. O amor é mais do que práticas religiosas e serviços humanitários. É por isso que Paulo pode dizer em 1 Coríntios 13:3: “E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” Talvez alguém pergunte: “Se você puder morrer por alguém e não tiver amor, o que é amor, então?”. A resposta é que o amor não está no mundo. “O amor é de Deus” (1 João 4:7). Onde não há fé unindo o coração a Deus, não há verdadeiro amor. O amor é o resultado da genuína fé salvífica. Aqui estão as passagens chaves: Gálatas 5:6: “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.” A origem do amor é o coração da fé. Mais abaixo, em Gálatas 5:22, o amor é chamado de fruto do Espírito. Em outras palavras, é algo que não podemos produzir sem a capacitação de Deus. Então, como nos tornamos pessoas amorosas? Gálatas 3:5 responde: “Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, fá-lo pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?”. O caminho pelo qual o Espírito vem a nós é a fé nas promessas de Deus; e, quando ele vem, o fruto que ele produz é o amor. Portanto, o amor é o fruto do Espírito e o resultado da fé. Em 1 Timóteo 1:5, Paulo coloca isso da seguinte maneira: “Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.”. Apenas a fé genuína resultará em amor.
Penso que podemos ilustrar a forma como isso funciona com a nossa presente situação aqui na Igreja Bethlehem. Há três decisões significantes que provavelmente tomaremos no fim de janeiro: se compraremos o imóvel ao lado para futura expansão ou estacionamento, se revisaremos a convenção da igreja e se chamaremos um pastor assistente para ministérios de jovens e adultos e uma obreira para cuidar das crianças. Estou ansioso para ver essas três coisas acontecerem. Mas também sei que alguns se opõem a uma delas, outros, há duas, e alguns se opõem a todas as propostas. Como se parecerá esse amor entre aqueles de nós que discordarão pelos próximos três meses, e de onde ele virá?
O amor é paciente e bondoso; o amor não é ciumento ou orgulhoso; não é arrogante ou rude. Ele não procura evitar um irmão de quem discorda, não é carrancudo, não espalha rumores ou fala mal do próximo, não tapa os ouvidos para as evidências. Em vez disso, o amor se regozija na verdade e é pacífico, gentil, aberto para discutir. O amor olha as pessoas nos olhos e comunica boa vontade. O amor não importuna, não é autopiedoso, não usa ultimatos para conseguir o que quer. É assim que o amor se parecerá nos próximos três meses. E que oportunidade tremenda nós temos para provar a nós mesmos e para o mundo que a nossa paz não é baseada em mera uniformidade. Não é preciso nenhuma graça cristã para viver em paz onde todos pensam e sentem da mesma forma. Então, o tempo de controvérsia em que nos encontramos não é mau; é uma boa oportunidade para testarmos se existe graça dentro de nós ou não.
Quando eu listei para mim a demanda do amor, sabia o que devia fazer. Devia apoiar minha fé em algumas promessas. Promessas como:
Eu edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mateus 16:18) Não te deixarei, nem te desampararei. (Hebreus 13.5) Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei. (Isaías 55:10 e 11)
Quando acalmo meu coração com essas coisas e percebo de relance o futuro claro e soberano de Deus, então posso amar de novo. Não me sinto mais ameaçado. Não me sinto nervoso, deprimido ou ansioso. Sinto que meu futuro está sendo cuidado. E, se eu me sinto cuidado por completo, então parece muito natural querer cuidar de vocês, olhar vocês nos seus olhos, sorrir para vocês e querer apenas o seu melhor. O ponto é: seja qual for o grau de expressão desse amor divino de uns pelos outros, será devido à fé nas promessas libertadoras de Deus. 

A Lei, quando chama para o amor, chama para a Fé.
O primeiro ponto em nossa teologia da Lei foi que o amor cumpre a Lei. O segundo ponto foi que o amor surge somente pela fé nas promessas de Deus. O terceiro ponto, portanto, é que a Lei não chamava para as obras meritórias, mas para a obediência que flui da fé. Se amor é o que a Lei objetiva, e somente a fé pode amar, então a Lei deve ensinar a fé. Isso é o que tem sido negligenciado tão frequentemente. Mas isso pode ser mostrado no ensino de Paulo e no ensino da própria Lei. A passagem chave é Romanos 9:30-32. Aqui Paulo explica por que Israel não cumpriu a Lei mesmo tendo-a buscado por séculos. Ele diz:
Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a Lei da justiça, não chegou à Lei da justiça. Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da Lei.
A pequena frase “como que” é tremendamente importante. Mostra claramente que Paulo não cria que Deus pretendia que a Lei fosse obedecida por “obras”. Isto é, se você trata a Lei como uma descrição de como merecer o favor de Deus, você está fazendo algo a que a própria Lei se opõe. A Lei em si mesma é contra “as obras da lei”.
A Lei nunca ordenou ninguém a tentar merecer sua salvação. A Lei é baseada na fé nas promessas de Deus, não em esforços legalistas. O erro de Israel não estava em buscar a Lei, mas em buscar a Lei pelas obras e não pela fé. (Veja Romanos 3:31; Mateus 23:23).
Agora vamos olhar para a Lei propriamente dita. Os dez mandamentos são o coração da aliança Mosaica e são encontrados em Êxodo 20. Israel havia chegado no deserto do Sinai três meses após o êxodo do Egito. A agonia da escravidão e o livramento pelo Mar Vermelho estavam vividos em suas memórias. (Pense o quão vívido o campo de concentração ainda estava três meses após sua liberação pelos aliados!). Um dos propósitos de Deus no êxodo era levar o seu povo a confiar nEle, que Ele tomaria conta deles e os levaria à terra prometida. Êxodo 14:31 diz: “E viu Israel a grande mão que o SENHOR mostrara aos egípcios; e temeu o povo ao SENHOR, e creu no SENHOR e em Moisés, seu servo.”
Portanto, quando os dez mandamentos começam: “Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20: 2,3), Deus estava dizendo: “Lembrem de como eu demonstrei o meu amor por vocês e do meu incomparável poder em favor de vocês! Confiem em mim agora, e não olhem para mais nenhuma fonte de ajuda”. Os dez mandamentos estão baseados em um chamada para a fé no Deus do êxodo, assim como os ensinamentos morais do Novo Testamento estão baseados em uma chamada para a fé no Senhor da Sexta-Feira da Paixão e da Páscoa.
O êxodo era um sinal para Israel, assim como a morte a ressurreição de Jesus são sinais para a Igreja. O significado do sinal é o de que Deus é por você, trabalhará por você e tomará conta de você se você confiar somente nEle. O evento passado do êxodo é um sinal da disposição de Deus em ajudar Israel no futuro. Portanto, a fé que Deus objetiva produzir através do êxodo é uma confiança de que Deus fará conosco no futuro o que ele fez no passado. Isso fica bem claro em Deuteronômio 1:29-32, quando Moisés contou por que Israel se recusou a entrar na terra prometida e foi forçado a vaguear 40 anos no deserto. Moisés tinha dito a eles quando eles se aproximavam da terra prometida pela primeira vez: “O SENHOR vosso Deus que vai adiante de vós, ele pelejará por vós, conforme a tudo o que fez convosco, diante de vossos olhos, no Egito... Mas nem por isso crestes no SENHOR vosso Deus” (Veja também Números 14:11, 20;12; Deuteronômio 9:22-24). O êxodo foi um sinal de que Deus cuidaria de Israel no futuro. Por tanto, o êxodo era o fundamento da fé de Israel. E essa fé é a base da Lei. A Lei de Moisés simplesmente explica detalhadamente a forma como os Israelitas viveriam se eles sentissem que o futuro deles estivesse seguro em Deus. Você não rouba se o seu futuro estiver seguro em Deus. Você não pode abusar dos outros, matar, mentir, seduzir a esposa dos outros ou desobedecer seus pais, se você realmente crê que o Deus do êxodo e o Deus da Páscoa está trabalhando para dar o futuro que é melhor para você. Todos esses pecados vêm pelo fato de não se crer em Deus. A Lei é a descrição da obediência da fé; não é uma descrição de como merecer as bênçãos de Deus.

A Lei é cumprida pela obediência da fé

Então o primeiro ponto na nossa teologia da Lei foi que o amor cumpre a Lei. O segundo ponto foi que o amor é o resultado da fé. E o terceiro ponto foi que, em razão disso, a Lei em si mesma não demanda obras meritórias, mas apenas a obediência que vem da fé. O quarto ponto flui naturalmente, isto é: nós devemos, portanto, obedecer (ou cumprir) os mandamentos do Antigo Testamento do mesmo modo que devemos obedecer os mandamentos do Novo Testamento – não para ganhar o favor de Deus, mas por que nós já dependemos de sua livre graça e confiamos que seus mandamentos nos levarão à completa e duradoura alegria. Claro que, desde que Cristo veio e cumpriu a parte sacrificial do Antigo Testamento (1 Coríntios 5:7), declarou todas as comidas como puras (Marcos 7:19), e encontrou um novo povo de Deus, o qual não é um grupo étnico ou nacional, muitos dos mandamentos do Antigo Testamento não se aplicam a nós (por exemplo, as leis dietéticas, leis a respeito de sacrifícios, leis pertencentes a organizações políticas e ações nacionais). Mas vastas porções do Antigo Testamento descrevem dimensões de obediência que são verdadeiras para o povo de Deus em qualquer era.
Romanos 8:3,4 ensina que a Lei em si mesma não tem poder para produzir esse tipo de obediência. A letra mata; é o Espírito que dá vida (2 Coríntios 3:6). Portanto, Deus enviou Cristo para expiar o pecado (Romanos 8:3), para que ele pudesse derramar o Espírito Santo em nossos corações, “para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Portanto, Paulo ensina que nós não devemos deixar a Lei para trás, nem rejeitar a Lei por alguma outra coisa, mas cumprir a Lei no poder do Espírito Santo através da fé que resultará em amor.

Devemos ter prazer na Lei de Deus e cantar sobre o seu valor

Em conclusão, então, os pontos são esses: primeiro: a Lei é cumprida em nós quando amamos nosso próximo como a nós mesmos. Segundo: o amor é o resultado da genuína fé salvífica. Terceiro: dessa forma, a Lei não nos ensina a tentar produzir obras meritórias, mas apenas nos ensina a confiar no Deus misericordioso do êxodo e viver em obediência que vem da fé. Quarto: portanto, a aliança Mosaica não é fundamentalmente diferente da aliança Abraâmica ou da Nova Aliança, porque nós devemos obedecer os mandamentos das três pelo mesmo motivo – não para ganhar o favor de Deus, mas porque nós já dependemos de sua livre graça e confiamos que os seus mandamentos nos levarão à completa e duradoura alegria. O ponto final, então, é que nós devemos ter prazer na Lei do Senhor, meditar nela de dia e de noite (Salmos 19:97), e cantar do seu valor para todas as gerações (Salmo 19:7- 14).

Traduzido do artigo original Why the Law Was
Given (15 de Novembro de 1981), extraído de
www.desiringgod.org
1
Traduzido por Saulo Rodrigo do Amaral, em julho de 2009.

Quem sou eu

Minha foto
Mogi das Cruzes, São Paulo, Brazil
Servo e Discipulo do Senhor Jesus Cristo, congrego desde Janeiro de 2013 na Congregação Presbiterial de Jundiapeba filiada a Igreja Presbiteriana Unida de Suzano, Igreja Presbiteriana do Brasil, Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo. Este Canal não é oficial da IPB, que somente disponibiliza videos dos cultos, reuniões, trabalhos da IP de Jundiapeba - IPJ.

Saudações, você entrou no blog de Marcel Lopes Batista

Irmãos.blog.online

(WC) Wikipedia Calvinista

Resultados da pesquisa

Cinco Pontos do Calvinismo

Cinco Pontos do Calvinismo
A salvação vem do Senhor