terça-feira, 22 de julho de 2014

ORDEM E DECÊNCIA

MODÉSTIA CRISTÃ NO VESTIR – O QUE A BÍBLIA ENSINA?

(O que se segue é a substância de um discurso proferido pelo Rev. David Silversides numa reunião de comunhão na Igreja Presbiteriana Reformada em Loughbrickland, Irlanda do Norte, em Fevereiro de 2009. A forma do discurso foi mantida).
“Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.” (1 Timóteo 2:9-10).  
Nosso tema é Modéstia Cristã no Vestir – O que a Bíblia ensina? Cristo é Rei, e os Cristãos começaram a reconhecê-lo como tal. Isto significa que a vida como um todo deve estar sujeita a Sua Palavra. Se, a Bíblia diz algo sobre vestir, e, ela diz, então, cabe-nos ouvir e obedecer.


O ESCOPO DO ASSUNTO

Primeiro, não lidaremos com questões de gosto. Isto está no campo da Liberdade Cristã.  Algumas pessoas estão mais conscientes do asseio e da coordenação das cores e etc, do que outros. Portanto, não é papel do ministro da Palavra de Deus pronunciar-se sobre tais assuntos, pois seria extremamente insensato fazê-lo.
Segundo, não lidaremos, nesta ocasião, com questões de gênero ou questões relacionadas às distinções do vestir masculino e feminino. Não, porque não há o que dizer sobre isso, mas, porque já temos muito para uma sessão.
Terceiro, vamos nos limitar ao pudor sexual no vestir. Esta é uma questão de princípio moral. O Senhor Jesus Cristo disse:“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para cobiçá-la, já em seu coração cometeu adultério com ela”. (Mateus 5:27-28).  Se, tal desejo sexual é uma violação do sétimo mandamento, então, vestir-se intencionalmente de maneira que, provoque ou estimule tal pecado, também deve ser pecaminoso. Por esta razão, o Catecismo Maior de Westminster ensina que o sétimo mandamento exige “modéstia no vestuário” (Resposta 138) e proíbe “imodéstia no vestuário” (Resposta 139).
Quarto, estamos olhando especificamente a questão do pudor sexual feminino. Há razão para isso. Não é que, a questão do pudor sexual do vestir seja completamente irrelevante para os homens. Existem modas masculinas que são projetadas para melhorar os aspectos da forma corporal masculina, das quais, certamente, os Cristãos devem evitar. No entanto, o problema é maior em relação ao vestir feminino. E qual é o porquê disso? É, porque os homens, em geral, são muito mais afetados pelo que eles veem, do que as mulheres; como uma regra.
Mulheres, em geral, são afetadas por uma combinação de coisas, diferentemente, dos homens. O desejo sexual é imediatamente despertado nos homens pelo olhar. “Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?” (Jó 31:1). Outros trechos da Escritura confirmam esta ênfase de que os homens pecam facilmente ao olhar para uma mulher. O Catecismo Maior nos dá como texto-prova, nas respostas mencionadas, anteriormente, o texto que começa com: “Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia” (1 Timóteo 2:9). Isto se refere especificamente ao vestuário feminino.
O papel dos homens na liderança é enfatizado nos versos anteriores do mesmo e, depois, o apóstolo se dirige às mulheres, dizendo que, elas devem vestirem-se modestamente. Em seguida, ele passa a outros assuntos de ordem da igreja, decoro, governo e ofícios na igreja, no capítulo três.  Outro texto usado pelo Catecismo Maior é Provérbios 7:10, no qual, é mencionado os “enfeites de prostituas”. E, em Isaías 3:16, constata-se que, as mulheres, particularmente, são reprovadas tanto pelo seu vestir como pela maneira como se comportam “Diz ainda mais o SENHOR: Porquanto as filhas de Sião se exaltam, e andam com o pescoço erguido, lançando olhares impudentes; e quando andam, caminham afetadamente, fazendo um tilintar com os seus pés;” (Isaías 3:16).
Quinto, isto não é um ataque contra as mulheres; não é misoginia [1]. Nem reflete qualquer desrespeito às mulheres, muito pelo contrário. Queremos defender a dignidade da mulher Cristã - afim de que, não sejam desvalorizadas, pela conformidade com as normas deste mundo.  Visto que, a Escritura refere-se, especificamente ao traje decoroso feminino (modéstia no vestir), então, é certo que, devemos explicá-lo.
Sexto, não devemos supor que haja má intenção em qualquer irmã em Cristo, que, se vista de forma indecente. Pois, é um dever Cristão ser caridoso em seus julgamentos e, se possível, imputar as melhores intenções, no que diz respeito, ao que outros Cristãos fazem. Há algumas mulheres Cristãs que não têm a menor ideia do efeito que produz, o seu modo vestir, nos homens. Supor o contrário sem uma forte razão, não devemos. Nem os jovens que lutam contra o pecado sexual, devem afligirem-se e suporem más intenções em suas irmãs em Cristo.
Sétimo, qualquer falha em mulheres Cristãs nesta questão, deve ser vista também, como uma possível falha dos maridos e pais Cristãos.  Os homens não devem ser covardes, eles devem liderar e governar suas próprias casas. Quando há imodéstia nas mulheres, quando o pai ou marido é Cristão, deve ser levantado à seguinte questão: eles disseram ou não a elas como os homens pensam? Maridos que deixam as suas mulheres se vestirem imodestamente, são, na melhor das hipóteses, negligentes – talvez, eles tenham ficado tão acostumados com as suas esposas, que, se tornaram alheios ao efeito da aparência delas nos homens. Alguns pais podem ser simplesmente fracos em não querer contar às suas filhas a verdade sobre o vestir ou esperar que elas saiam da linha com as suas amigas; o resultado disso é o mais baixo denominador comum no vestir. Ou talvez, um pai pode estar tão acostumado em pensar na sua filha como a sua filhinha, desta forma, ele se esquece do fato de que sua filhinha se tornou uma mulher e num objeto de desejo de outros homens.
Oitavo, este assunto não deve ser usado como uma desculpa para o pecado masculino. Se, um homem deseja uma mulher que não é sua esposa, ele peca. O Islamismo é particularmente mau em jogar toda a responsabilidade do pecado sexual masculino nas mulheres. Dr. Patrick Sookhdeo diz, o seguinte, a respeito da visão islâmica da mulher: “Elas são, portanto, consideradas uma fonte de tentação para os homens e devem ser protegidas de suas próprias fraquezas.” (Islam – The Challenge to the Church, 2006, p.32).  No Islamismo a culpa pelo pecado sexual é grandemente lançada sobre as mulheres. A verdade é que toda lascívia masculina é pecado, e, é um pecado deles. Apenas se torna um pecado também da mulher se, ela o estimula por seu vestir ou por seu comportamento.  
Nono, a responsabilidade da mulher é limitada. Uma mulher não é responsável por prevenir toda a luxúria masculina, nem isto lhe é exigido, porém, apenas assegura que ela não provoque ou estimule esta luxúria. Os homens podem e se envolvem em desejo sexual por mulheres, não importando como elas estão vestidas. Ainda, que, elas vistam um saco do pescoço aos pés, os homens ainda serão capazes de adulterar no coração. O Islamismo é um testemunho vivo da futilidade ao se pensar que restrições externas irão resolver o problema do pecado. Assim como, testemunha contra a futilidade da falsa religião, no propósito mudar o coração. Ficamos surpresos ao ler, recentemente, acerca de missionários num país Muçulmano, afirmando que, num mercado local, onde apesar das mulheres se vestirem de modo que não fica nada visível, a não ser os olhos, ainda assim, estão sujeitas a um constante assédio masculino, seja de um tipo, ou de outro. Elas são maltratadas e sexualmente molestadas, embora sua aparência esteja escondida; contudo, os homens ainda pecam desta forma. Martinho Lutero, antes de sua conversão, disse que, quebrou o sétimo mandamento, mais vezes, quando ele estava em sua cela do monastério, do que, quando fora dela. O pecado pode operar no coração e na mente sem qualquer estímulo visual.
Décimo, o nosso propósito não é fazer com que as mulheres fiquem excessivamente introspectivas e autoconscientes sobre si mesmas, contudo, produzir um saudável equilíbrio consciente da necessidade de se vestir para a glória de Deus; para pensar como elas se vestem. Queremos trazer algumas orientações gerais que, esperançosamente, provarão seu uso para este fim. Não estamos procurando uma aparência mórbida ou uma preocupação melancólica, todavia, uma preocupação robusta para obedecer a Palavra de Deus. Até aqui, então, o escopo de nosso assunto

 A DIFICULDADE DO ASSUNTO

Existe um absoluto constrangimento acerca da modéstia cristã no vestir. É difícil para se ouvir a respeito, e, esteja certo de que, falar sobre isto é mais difícil ainda. Este é o motivo, pelo qual, este assunto é frequentemente ignorado em círculos Cristãos. Todos fingem que não há um problema. É a síndrome do elefante na sala, todos sabem que o elefante está lá, mas ninguém fala sobre o mesmo. Assim, muitos Cristãos estão cientes do  problema, mas ninguém quer, ser aquele a, dizer algo. Ministros permanecem em silêncio, e isto não é uma surpresa. Afinal, aqueles que falam são vistos como extremistas ou como quem tem algum tipo de problema pessoal. Confessamos que nós mesmos, dificilmente, falamos sobre modéstia cristão. Temos nos referido a isto, ocasionalmente, nos últimos 20 anos de pregação. Nós temos tido estes encontros após o culto por 11 ano, e, temos levado algum tempo para falarmos sobre isto, portanto, não é um dos assuntos prediletos. Porém, falaremos agora. Anunciamos o assunto com uma prévia antecedência, para que, isto ajude o palestrante a não adiar para outra hora, embora, de certa forma, é o que alegremente faríamos. A verdade é que, a grande maioria dos homens luta contra o pecado sexual, todavia, o vestuário imodesto das mulheres torna isto, ainda mais difícil, para eles. Provavelmente, 95% dos homens admitiriam esta verdade, a não ser que fossem mentirosos. Portanto, esta é a razão, pela qual, este assunto deve ser abordado. Pois, se não fizermos menção dele, nunca, os padrões não melhorarão e, possivelmente, declinarão.
Cremos que numa reunião, comparativamente pequena, a possibilidade de constrangimento é maior. Portanto, faremos algo que, normalmente, não fazemos -  muito menos, mencionamos -  declarar que, consideremos o fato de que, a palestra será gravada. Faremos assim, não porque, o discurso não tem aplicação para os presentes, porém, pode ser que, alguns detalhes do discurso se aplique à alguém que não esteja presente.
Não se sente aí, pensando: “De quem será que, ele está falando agora?” Caso, algo se aplica a você, leve ao seu coração, caso contrário, pode ser que se aplique a alguém que, escute, posteriormente. Pois, todos nós precisamos conhecer este ensino bíblico, interagindo em  grupo e não apenas individualmente. Especialmente, as mulheres Cristãs – sim – mas ainda, os pais precisam saber, pois, devem estar alertas. Afinal, são eles que, instruirão suas famílias, suas filhas a terem uma visão biblicamente correta sobre a modéstia Cristã.
Existe uma dificuldade em se definir modéstia e até mesmo em se encontrar um ponto de partida. Por onde começar? Há tantas variáveis que isto pode sugerir que, este assunto é, praticamente, impossível de se abordar. No entanto, está na Escritura, como uma exigência para a mulher cristã, logo é possível de ser abordado. Apesar de haver variáveis que o tornam difícil. Uma delas, é que, homens variam; eles variam naquilo que os afeta, talvez não todos, mas eles variam. Eles variam fisicamente; eles variam mentalmente. Certamente, aqueles que foram criados num lar Cristão e abençoados pelo Espírito de Deus, desde o início de suas vidas, tendo suas mentes repletas de coisas boas, antes de, pensamentos pecaminosos se arraigarem, têm uma vantagem. 
Há, ainda, a falta de sensibilidade que vem do uso. Afinal, uma moda que é altamente provocativa e sensacional, num primeiro momento, pode se tornar relativamente banal com o passar do tempo. Veja, quantas variáveis!     
O que iremos fazer então? Pode-se esperar definições coerentes sobre o que é um traje modesto? Em, 1Timóteo 2:9 diz que, as mulheres devem  ataviarem-se com “traje honesto”, vestindo-se “com pudor e modéstia” – a ideia é de uma reserva adequada, sobriedade, moderação ou restrição. A segunda parte do verso discorre sobre ostentação, porque está vinculada ao culto público, onde, a atenção e o foco devem estar em Deus, sendo assim, uma mulher não deve se vestir de maneira que faça, com que, todos olhem para ela. Ainda que, a segunda parte seja sobre ostentação, a primeira, com certeza inclui, e, tem como objetivo, a questão do pudor. A luta contra o pecado nunca acaba neste mundo, e, certamente, não termina quando viemos para a igreja. Todavia, a Igreja de Deus deve ser um lugar onde homens Cristãos (ainda que eles tenham de lutar contra o pecado, porque são pecadores) não sejam induzidos ao pecado por suas irmãs em Cristo. 

O PROPÓSITO BÍBLICO DO VESTIR-SE

Como, então, podemos começar a definir a modéstia no aspecto sexual? O propósito Bíblico do vestir-se deve ser o ponto de partida para começarmos e, com muito esforço, definir esta exigência de modéstia, neste aspecto. Não temos a pretensão de dar um detalhamento completo, porém,  nos situaremos, voltando a ideia do começo. Por que nos vestimos? No inverno, o motivo é, em parte, para nos manter aquecidos, mas esta não é a única razão, não é mesmo? Porque, quando está calor, também nos vestimos. Por que? Referindo-se ao homem, antes da queda, lemos que “ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.” (Gênesis 2:25). Depois que Adão pecou, nos é dito que, “foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.” (Gênesis 3:7). E, depois, “fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.” (Gênesis 3:21). Deixando de lado todas as outras considerações, é evidente que, o propósito das roupas era cobrir, embora, houvesse apenas Adão e Eva, nesta época. O senso do pecado trouxe consigo a sensação de que, a vida não poderia, agora, continuar da mesma forma que antes; aquele pecado fez surgir a necessidade de cobrir a nudez. É, por isso, que, o naturalismo ou nudismo são negações da queda do homem, assim como, as pessoas que participam destes movimentos, também negam. O principal propósito das roupas, então, é cobrir a nudez.
Faremos algumas ressalvas, antes de, resumir o que podemos aprender com este princípio bíblico, a respeito da finalidade básica de se vestir.
Primeiro, a beleza feminina foi dada por Deus e, isto é para ser reconhecido sem embaraço. A própria Escritura reconhece a beleza de Sara, Raquel e das filhas de Jó. Sem dúvida, elas se vestiam com extrema modéstia e, apesar disso, foram contadas e reconhecidas como mulheres bonitas. Contudo, ainda que, a beleza numa mulher, possa se tornar motivo de orgulho, esta foi dada por Deus, portanto, não é, deliberadamente, pecado, os homens reconhecerem isto, afinal, a Bíblia, Palavra de Deus, assim o faz. Segundo, a Santa Escritura não condena roupas bonitas e não requer uma monotonia deliberada.
Podemos dizer, entretanto, que se uma roupa falha em não realizar a sua função básica de cobrir, então, tais formas de se vestir, ainda que sejam elegantes, devem ser rejeitadas.
Para que, o tema, de que estamos falando, seja de alguma utilidade prática, devemos  nos empenhar numa providencial explicitação. Não de mau gosto, esperamos. Afinal, a própria Escritura, às vezes, é muito direta e franca, visto que, em determinados momentos,  isto faz-se necessário. A questão é, se tudo fosse deixado em termos vagos, todos diriam: “ah, está tudo bem”, ainda que, não estivessem aprendendo nada em nossos encontros, seria, então, uma desagradável perda de tempo. Portanto, não seremos mais explícitos do que o tema, na realidade, exige.
Atente-se em saber do que estamos falando. Consideraremos, a seguir, três elementos que fazem, o modo de se vestir, indecente.

ELEMENTOS QUE CONSITUEM IMODÉSTIA E EXEMPLOS ESPECÍFICOS

Primeiro, um nível inadequado de exposição. Isto é bastante óbvio. A seguir, ilustraremos algumas modas que têm aparecido.
A minissaia apareceu na década de sessenta e sua inventora, Mary Quant, disse o seguinte: “Foi com o propósito de tornar o sexo mais disponível na parte da tarde. Mini-roupas são um símbolo de garotas que querem seduzir um homem.”  Algo poderia ser mais claro que isto? As minissaias foram projetadas para serem imodestas e para tentarem os homens. Em, Isaías 47:2,3, temos a Babilônia retratada como uma mulher sendo exposta involuntariamente: “Toma a mó, e mói a farinha; remove o teu véu, descalça os pés, descobre afinal as pernas e passa os rios. A tua vergonha se descobrirá, e ver-se-á o teu opróbrio; tomarei vingança, e não pouparei a homem algum.” No verso 2, retrata-se a Babilônia, como acostumada a uma vida de luxúria, tal qual, uma rainha, porém, repentinamente, torna-se uma serva,  tendo que atravessar os rios para pegar a mó, e, ao fazer isso, ela expõe suas pernas, levantando a saia. O verso 3 descreve, ainda mais, a sua total desgraça, sendo despida. No mínimo, o verso 2 quer deixar claro que, mostrar as pernas, era uma desgraça, mesmo que, seja em caso de necessidade, pois trata-se de uma parte do corpo que, normalmente, é coberta. Enquanto que, ao usar minissaia, se faz isso, totalmente, por escolha.  Qualquer homem, vai te dizer que, a minissaia, que foi feita para promover a lascívia, faz, exatamente, isso.
Outra parte do corpo que, também é comum ser mostrada, os seios. Eles são referidos no contexto da fidelidade do marido à sua esposa: “Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente.” (Provérbios 5:19). A exposição dos seios é prevista como algo legítimo apenas entre o marido e sua esposa, caso contrário, eles devem ser cobertos na presença de outros homens. Podemos concluir com segurança que o corpo da mulher, dos seios até as suas pernas, deve estar completamente coberto em todas as circunstâncias normais, na presença de homens, exceto para seu marido se, ela for casada.  Assim, os seios, a barriga e as pernas não devem ser expostos, a roupa deve cobri-los, estando a mulher em pé, sentada ou abaixando-se para pegar algo no chão.
Segundo, exposição seletiva daquilo que deve ser coberto. Não é uma questão de quantos milímetros estão expostos. Pelo contrário, é uma questão de que parte está sendo exposta. Observa-se várias formas; um pouco de decote, um pouco da barriga à mostra, uma fenda na saia, mostrando um pouco das pernas, expondo uma porção do que deveria se cobrir totalmente.
Não adianta dizer: “Mas é só um pouco.” Tais partes do corpo devem estar cobertas. A exposição limitada é sedutora para os homens. Se você não acredita nisso, pergunte ao seu marido, pai ou irmão que são Cristãos. Se ele for um homem honesto, ele vai te dizer. A indústria da moda procura constantemente formas de maximizar o apelo sexual por exposições sutis e seletivas daquilo que deveria estar coberto.
Terceiro, cobrir a pele sem cobrir a forma. O mero cobrir da pele que falha em cobrir qualquer coisa da forma ou do contorno do corpo, não é modesto. As técnicas têxteis têm progredido. O homem, sendo pecador, é um inventor de coisas más ou faz mau uso de certas invenções. Por exemplo, algumas calças jeans cobrem o corpo, mas não escondem a sua forma, ainda que, tecnicamente, cubram a real superfície e, nem um milímetro de carne esteja exposta, de fato, porém, certas calças são como se, estivessem apenas borrifado com tinta, logo, não é modesto). O mesmo vale para tops e saias que são coladas na pele. Homens honestos confirmarão estas coisas.

OBJEÇÕES A ESTE PADRÃO DE MODÉSTIA

Nós não entraremos em muitos detalhes, porém, tentaremos dar algumas linhas gerais que, acreditamos ter o apoio das Escrituras e, a maioria dos homens honestos confirmarão. Todavia, veremos algumas possíveis objeções.
Primeira objeção: não corremos o risco de parecer estranhos e antiquados? Este clamor, às vezes, assume a forma de uma ameaça fantasma, criando a imagem de pseudo ou neo-puritanismo à igreja; o perigo alegado é que, tentamos impor uma maneira de se vestir, pertencente ao século dezessete. Qual é a resposta para isso? Primeiro, o vestir-se modestamente não requer que estejamos fora da moda; isto não se opõe a vestir-se elegantemente. Existe diferença entre, vestir-se com elegância e vestir-se sexualmente provocante. Não são a mesma coisa. Essa distinção tem sido tão esquecidas que, muitas mulheres modernas de qualquer idade, especialmente as não-cristãs, não estão sequer cientes que, tal distinção existe. Vestem-se imodestamente o tempo todo, até mesmo, quando surge uma ocasião especial – um funeral – elas colocam a melhor versão do mesmo tipo de vestimenta imodesta, usada em outras ocasiões.  Nem mesmo, a dignidade e a solenidade de um funeral alteram a imodéstia básica, porque se tornou algo, altamente, arraigado e normal. Há, entretanto, uma diferença importante no vestir-se, de um lado, com modéstia, asseio e beleza e, do outro, no vestir-se com sensualidade e imodestamente.
Um segundo ponto, em resposta à mesma objeção é que, a estranheza, quando a Escritura exige, é um dever: “E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós.” (1 Pedro 4:4). O que é dito aqui sobre comportamento também se aplica, em princípio, ao vestir. Quando a norma é pecaminosa, temos que ser anormais. É, realmente, simples assim. Melhor ser singular e modesto do que ser contemporâneo e imodesto. Melhor parecer incomum do que ser normalmente pecaminoso. Nós, certamente, devemos seguir os Puritanos em sua preocupação com a modéstia no vestir, porque esta é uma exigência Bíblica, tanto para o século 17, quanto para o século 21.
No entanto, a título de ajuda, se é que, ajuda, deixe-me dizer algo. O grau exigido, hoje, dos ditames da moda é muito menor do que, nos anos de 1960 e 1970, pelo menos na Inglaterra (onde morávamos na época) e, talvez, aqui na Irlanda do Norte também. Naqueles dias todas as mulheres, virtualmente, usavam minissaia. Era uma prática quase universal e, fazer algo diferente, era realmente parecer muito estranho mesmo. Os Cristãos foram apresentados à uma escolha clara: ser indecente ou ser estranho. Indecência era uniforme. A minissaia tomou conta e foi, extremamente, difícil para os cristãos, inclusive, encontrar roupas decentes, se eles as quisessem. A preocupação com a modéstia, absolutamente, não aumentou, mas há uma persistência muito menor do que havia, então.  Agora, mesmo as mulheres ímpias, por quaisquer razões, às vezes,  vestem-se de forma modesta.   
As mulheres piedosas podem, muito bem, destacaram-se por fazerem isto, o tempo todo, mas ainda, podem usar um comprimento de saia decente, sem, ser, totalmente, bizarro. Pois, assim era o caso no passado.
Porém, a ênfase da Escritura não é para alertar-nos contra a estranheza excessiva. Não dizemos que devemos ser, desnecessariamente, estranhos – claro que não! A Escritura não está cheia de avisos, tais como, “Agora, tome cuidado para não ser muito incomum!” Não é isto, o que encontramos. Encontramos, exatamente, o contrário: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento” (Romanos 12:2). Em todo caso, onde estão aqueles que supostamente são parecidos com os do século 17? Onde eles estão? Eles não existem ou se existem, nós ainda precisamos conhecê-los. É trivial, o perigo da excessiva estranheza comparado com o da indecência – absolutamente trivial!   Ainda que, haja estranheza desnecessária envolvida, isto não arruinará a igreja, mas a sensualidade, a impureza e a imundícia – estas, certamente, arruinarão. É como se, alguém estivesse ajustando as almofadas no sofá, porque não estão arrumadas, enquanto, a casa está pegando fogo! Há, ainda, ministros que chamam a atenção para uma aviso tolo e terrível sobre o perigo da estranheza de vivermos num túnel do tempo – como se essa fosse a grande ameaça. Fazendo isso, eles distraem os cristãos do real perigo. Na verdade, encorajam a imodéstia, porque, inclinam às mulheres a preocuparem-se em não demonstrarem ser do século 17. Sobre não parecerem estranhas, eles ficam com medo de arriscar, e no processo, admitem a imodéstia.    
O testemunho da igreja não será destruído por causa de mulheres Cristãs que aparentam ser diferentes, mas, por mulheres que se vestem como se estivessem indo para uma discoteca. Portanto, na medida, em que, o mundo é capaz de demonstrar algum respeito à igreja, ele respeita a coerência desta.  Desta forma, o clamor que diz ser uma ameaça, o modo de vestir Neo-Puritano do século 17, termina, desencorajando mulheres fiéis que, almejam vestirem-se de forma Bíblica e modesta, e, isto entristece o coração daquelas, que Deus não entristeceu. Seria melhor para os Ministros guardarem o seu poder de fogo para o verdadeiro inimigo, para o real perigo, e, caso estejam cativos à Palavra de Deus, esqueceriam este virtual e imaginário perigo, e advertiriam contra a imodéstia, como as Escrituras o faz.
Segunda objeção: Uma mulher solteira pode dizer: “Como eu vou conseguir um marido, se, eu não me fizer atrativa? “Eu tenho que mostrar o meu melhor?”
Resposta: primeiro, você não precisa se vestir de maneira sombria para estar modestamente vestida. Modéstia e bom gosto são o seu “melhor”. Segundo, qualquer atenção que você chamar para si, de alguém, do sexo masculino, por vestir-se imodestamente, não vale um centavo. Segundo, qualquer marido, obtido por tais meios, é improvável  que, lhe fará muito bem, como esposo. Pois, um homem que é lascivo antes de se casar, vai continuar lascivo depois de casado. A atratividade não é algo insignificante no casamento, mas um homem piedoso irá mantê-la na mesma proporção, de outros sentimentos. Ele não sentirá necessidade de vê-la vestida indecentemente para decidir se você seria uma boa esposa em todos sentidos, incluindo a questão física.
Terceiro, o vestir imodesto irá desencorajar os homens piedosos de levar em consideração, tal mulher. Ele irá ponderar se você é alguém sério em seguir a Cristo e, ainda, se você vai se vestir assim depois de casada. Então, não há vantagem alguma para uma mulher cristã vestir-se imodestamente. Nenhuma.

Conclusão

O propósito dessa palestra foi mostrar o que as Escrituras dizem acerca de um particular aspecto de conduta. Não há intenção alguma de nossa parte em nos tornarmos espécies de vigias na congregação ou de estarmos engajados em qualquer “pastoreio pesado” sectário, nem de cobrirmos cada detalhe, pois não poderíamos fazê-lo. Contudo, esperamos ser o suficiente, indicamos as principais linhas de reflexão que evitarão a atual imodéstia numa sociedade que despreza a Deus e que não se importa com os padrões Bíblicos; uma sociedade que acha pode brincar com pecado sem que ninguém saia ferido. E este último é uma mentira. Porém, é a arrogância do homem do século 21 nesta parte do mundo; ele pode brincar com o pecado, usando regras de comum acordo – isto não funciona. Não está funcionando agora e nunca funcionará. Por outro lado, nós temos mostrado coisas gerais que devem ser evitadas no vestir, por amor ao Salvador. O propósito não é trazer vergonha, mas trazer aquilo que todos nós deveríamos saber – não apenas nossas mulheres, mas também pais e maridos – como ordenar esta parte da vida de tal maneira que honre ao Salvador.
Esperamos agora, se não antes, que o vestir é uma área de submissão a Cristo. Mulheres cristãs precisam de uma mentalidade de modéstia piedosa em seus pensamentos, trazendo à consciência de que, elas não podem se dar o luxo de apenas, impensadamente, seguir cada moda que este mundo propõe. A glória de Deus deve ser levada em consideração na decisão de como se vestir. Isto é o que precisamos, não é? Reconhecemos livremente que muitas mulheres cristãs não pensam sobre este assunto e que esta é a maior parte do problema. Não atribuímos um motivo desfavorável, a não ser que, não haja alternativa. Mas agora que você sabe, então comece a distinguir entre o que é inteligente e o que é sexualmente provocativo. Um é bom. O outro não. Ame ao Senhor. Ame ao Salvador. Adorne o Evangelho de Deus nosso Salvador em todas as coisas, incluindo o vestir. O Senhor Jesus Cristo sofreu e morreu para redimir seu povo de toda a iniquidade. Não o honraremos, então, em todas as coisas, homens e mulheres, nesta área particular do nosso vestir, que é, particularmente, aplicado às mulheres? Você não honrará e amará o Senhor Jesus Cristo que primeiro amou você? “Vós, que amais ao Senhor, odiai o mal.” [2]    Abandone aquilo que é errado. Agarre-se ao padrão Bíblico. Deleite-se na Lei do Senhor segundo o homem interior e no exterior pratique e glorifique nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Amém.    

1. Ódio ou desprezo ao sexo feminino. Nota do Tradutor. [^]
2. Salmo 97:10 [^]
Disponível em http://www.loughbrickland.org/auto_content/modestia_prt.shtml

terça-feira, 26 de novembro de 2013

PALHAÇADA TEM HORA

Palhaçada tem hora?!? Sim tem!


DOC.XLIII - Quanto ao documento 193 - Oriundo do(a):  Sínodo Central Espírito-Santense - Ementa: Consulta sobre a Prática de  atividades sob a direção de Palhaços. A CE-SC/IPB - 2012 RESOLVE: 1. Tomar conhecimento; 2. Considerar e apreciar o zelo do Presbitério com relação ao culto prestado ao Senhor; 3. Declarar que a pregação por pessoas caracterizadas de palhaço nos cultos regulares das igrejas presbiterianas não deve ser  permitida, considerando a seriedade da mensagem do Evangelho, a solenidade do culto e a gravidade do púlpito, reservando a oportunidade da atuação artística  a eventos sociais em acampamentos ou em praças públicas, hospitais e outros eventos similares."

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Resoluções

Resoluções
Em nome de Deus-Pai o Altíssimo e por meio de Seu Bendito e Único Filho Jesus Cristo, Rei e Senhor Nosso, com a ajuda do Consolador e Intercessor o Glorioso Espírito Santo de Deus, essas resoluções são proferidas solenemente por
Marcel Lopes Batista em 10.10.2013


Estando ciente de que sou incapaz de fazer qualquer coisa sem a ajuda de Deus, humildemente Lhe rogo que, através de Sua graça, me capacite a cumprir fielmente estas resoluções, enquanto elas estiverem dentro da Sua vontade, em nome de Jesus Cristo. Lembra de ler estas resoluções uma vez por semana.

1. Resolvi que farei tudo aquilo que seja para a maior glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e agrado, durante todo tempo de minha peregrinação, sem nunca levar em consideração o tempo que isso exigirá de mim, seja agora ou pela eternidade fora. Resolvi que farei tudo o que sentir ser o meu dever e que traga benefícios para a humanidade em geral, não importando quantas ou quão grandes sejam as dificuldades que venha a enfrentar.

2. Resolvi permanecer na busca contínua de novas maneiras para poder promover as resoluções acima mencionadas. 

3. Resolvi arrepender-me, caso eu um dia me torne menos responsável no tocante a estas resoluções, negligenciando uma ínfima parte de qualquer uma delas e confessar cada falha individualmente assim que cair em mim. 

4. Resolvi, também, nunca negar alguma maneira ou coisa difícil, seja no corpo ou na alma, menos ou mais, que leve à glorificação de Deus; também não sofrê-la se tiver como evitá-la. 

5. Resolvi jamais desperdiçar um só momento do meu tempo; pelo contrário, sempre buscarei formas de torná-lo o mais proveitoso possível. 

6. Resolvi viver usando todas minhas forças enquanto viver. 

7. Resolvi jamais fazer alguma coisa que eu não faria, se soubesse que estava vivendo a última hora da minha vida. 

8. Resolvi ser a todos os níveis, tanto no falar como no fazer, como se não houvesse ninguém mais vil que eu sobre a terra, como se eu próprio houvesse cometido esses mesmos pecados ou apenas sofresse das mesmas debilidades e falhas que todos os outros; também nunca permitirei que o tomar conhecimento dos pecados dos outros me venha trazer algo mais que vergonha sobre mim mesmo e uma oportunidade de poder confessar meus próprios pecados e miséria a Deus. 

9. Resolvi pensar e meditar bastante e em todas as ocasiões sobre minha própria morte e sobre circunstâncias relacionadas com a morte. 

10. Resolvi, sempre que experimentar e sentir dor, relacioná-la com as dores do martírio e também com as do inferno. 

11. Resolvi que sempre que pense em qualquer enigma sobre a salvação, fazer de tudo imediatamente para resolvê-lo e entendê-lo, caso nenhuma circunstância me impeça de fazê-lo. 

12. Resolvi, assim que sentir um mínimo de gratificação ou deleite de orgulho ou de vaidade, eliminá-lo de imediato. 

13. Resolvi nunca cessar de buscar objetos precisos para minha caridade e liberalidade. 

14. Resolvi nunca fazer algo em forma de vingança. 

15. Resolvi nunca sofrer nenhuma das mais pequenas manifestações de ira vinda de seres irracionais. 

16. Resolvi nunca falar mal de ninguém, de forma tal que afete a honra da pessoa em questão, nem para mais nem para menos honra, sob nenhum pretexto ou circunstância, a não ser que possa promover algum bem e que possa trazer um real benefício. 

17. Resolvi viver de tal forma como se estivesse sempre vivendo o meu último suspiro. 

18. Resolvi viver de tal forma, em todo o tempo, como vivo dentro dos meus melhores padrões de santidade privada e daqueles momentos que tenho maior clarividência sobre o conteúdo de todo o evangelho e percepção do mundo vindouro. 

19. Resolvi nunca fazer algo de que tenha receio de fazer uma hora antes de soar a última trombeta. 

20. Resolvi manter a mais restrita temperança em tudo que como e tudo quanto bebo. Resolvi me abster de bebida forte e alcóolica para a Glória de Deus (acréscimo meu).

21. Resolvi nunca fazer algo que possa ser contado como justa ocasião para desprezar ou mesmo pensar mal de alguém de quem se me aperceba algum mal. 

22. Resolvi esforçar-me para obter para mim mesmo todo bem possível do mundo vindouro, tudo quanto me seja possível alcançar de lá, com todo meu vigor em Deus – poder, vigor, veemência, violência interior mesmo, tudo quanto me seja possível aplicar e admoestar sobre mim de qualquer maneira que me seja possível pensar e aperceber-me.

23. Resolvi tomar ação deliberada e imediata sempre que me aperceber que possa ser tomada para a glória de Deus e que possa devolver a Deus Sua intenção original sobre nós, Seu desígnio inicial e Sua finalidade. Caso eu descubra, também, que em nada servirá a glória de Deus exclusivamente, repudiarei tal coisa e a terei como uma evidente quebra da quarta resolução.

24. Resolvi que, sempre que encetar e cair por um caminho de concupiscência e mau, voltar atrás e achar sua origem em mim, tudo quanto origina em mim tal coisa. Depois, encetar por uma via cuidadosa e precisa de nunca mais tornar a fazer o mesmo e de orar e lutar de joelhos e com todas as minhas forças contra as origens de tais ocorrências.

25. Resolvi examinar sempre cuidadosamente e de forma constante e precisa, qual a coisa em mim que causa a mínima dúvida sobre o verdadeiro amor de Deus para direcionar todas as minhas fortalezas contra tal origem.

26. Resolvi abater tais coisas, a medida que as veja abatendo minha segurança. 

27. Resolvi nunca omitir nada de livre vontade, a menos que essa omissão traga glória a Deus; irei, então e com frequência, rever todas as minhas omissões.

28. Resolvi estudar as Escrituras de tal modo firme, preciso, constante e frequente que me seja tornado possível e que me aperceba em mim mesmo de que estou crescendo no conhecimento real das mesmas. 

29. Resolvi nunca ter como uma oração ou petição, nem permitir que passe por oração, algo que seja feito de tal maneira ou sob tais circunstâncias que me possam privar de esperar que Deus me atenda. Também não aceitarei como confissão algo que Deus não possa aceitar como tal. 

30. Resolvi extenuar-me e esforçar-me ao máximo de minha capacidade real para, a cada semana, ser levado a um patamar mais real de meu exercício religioso, um patamar mais elevado de graça e aceitação em Deus, do que tive na semana anterior. 

31. Resolvi nunca dizer nada que seja contra alguém, exceto quando tal coisa se ache de pleno acordo com a mais elevada honorabilidade evangélica e amor de Deus para com a sua humanidade, também de pleno acordo com o grau mais elevado de humildade e sensibilidade sobre meus próprios erros e falhas e de pleno acordo àquela regra de ouro celestial; e, sempre que disser qualquer coisa contra alguém, colocar isso mesmo mediante a luz desta resolução convictamente. 

32. Resolvi que deverei ser estrita e firmemente fiel à minha confiança, de forma que o provérbio 20:6 “ Mas, o homem fiel, quem o achará? ” não se torne nem mesmo parcialmente verdadeiro a meu respeito.

33. Resolvi, fazer tudo que poderei fazer para tornar a paz acessível, possível de manter, de estabelecer, sempre que tal coisa nunca possa interferir ou inferir contra outros valores maiores e de aspectos mais relevantes.

34. Resolvi nada falar que não seja inquestionavelmente verídico e realmente verdadeiro em mim. 

35. Resolvi que, sempre que me puser a questionar se cumpri todo meu dever, de tal forma que minha serenidade e paz de espírito sejam ligeiramente perturbadas através de tal procedimento, colocá-lo diante de Deus e depois verificar como tal problema foi resolvido.

36. Resolvi nunca dizer nada de mal sobre ninguém que seja, a menos que algum bem particular nasça disso mesmo.

37. Resolvi inquirir todas as noites, ao deitar-me, onde e em quais circunstancias fui negligente, que atos cometi e onde me pude negar a mim mesmo. Também farei o mesmo no fim de cada ano, mês e semana.

38. Resolvi nunca mais dizer nada, nem falar, sobre algo que seja ridículo, esportivo ou questão de zombaria no dia do Senhor. Noite de Sábado.

39. Resolvi nunca fazer algo que possa questionar sobre sua lealdade e conformidade à lei de Deus, para que eu possa mais tarde verificar por mim se tal coisa me é lícito fazer ou não. A menos que a omissão de questionar me seja tornada lícita. 

40. Resolvi inquirir cada noite de minha existência, antes de adormecer, se fiz as coisas da maneira mais aceitável que eu poderia ter feito, em relação a comer e beber.

41. Resolvi inquirir de mim mesmo no final de cada dia, de cada semana, mês e ano, onde e em que áreas poderia haver feito melhor e mais eficazmente.

42. Resolvi que, com frequência renovarei minha dedicação de mim mesmo a Deus, o mesmo voto que fiz em meu batismo, o qual recebi quando fui recebido na comunhão da igreja e o qual reassumo solenemente neste dia. 

43. Resolvi que a partir daqui, até que eu morra, nunca mais agirei como se me pertencesse a mim mesmo de algum modo, mas inteiramente e sobejamente pertencente a Deus, como se cada momento de minha vida fosse um normal dia de culto a Deus. 

44. Resolvi que nenhuma área desta vida terá qualquer influencia sobre qualquer de minhas ações; apenas a área da vivência para Deus. E que, também, nenhuma ação ou circunstância que seja distinta da religião seja a que me leve a concretizar.

45. Resolvi também que nenhum prazer ou deleite, dor, alegria ou tristeza, nenhuma afeição natural, nem nenhuma das suas circunstâncias co-relacionadas, me seja permitido a não ser aquilo que promova a piedade.

46. Resolvi nunca mais permitir qualquer medida de qualquer forma de inquietude e falta de vontade diante de minha mãe e pai. Resolvi nunca mais sofrer qualquer de seus efeitos de vergonha, muito menos alterações de minha voz, motivos e movimentos de meu olhar e de ser especialmente vigilante acerca dessas coisas quando relacionadas com alguém de minha família, em especial, a amada Edilene Albuquerque Carneiro Batista e ao bendito filho da aliança Matheus Henrique Albuquerque Batista.

47. Resolvido a encetar (iniciar) tudo ao meu alcance para me negar tudo quanto não seja simplesmente disposto e de acordo com uma paz benévola, universalmente doce e meiga, repleta de quietude, hábil, contente e satisfeita em si mesma, generosa, real, verdadeira, simples e fácil, cheia de compaixão, industriosa e empreendedora, cheia de caridade real, equilibrada, que perdoa, formulada por um temperamento sincero e transparente; e também farei tudo quanto tal temperança e temperamento me levar a fazer. Examinarei e serei severo e acutilante nesse exame cada semana se por acaso assim fiz e pude fazer.

48. Resolvi a, constantemente e através da mais acutilante beleza de caráter, empreender num escrutínio e exame minucioso e muito severo, para constatar e olhar qual o estado real de toda a minha alma, verificando por mim mesmo se realmente mantenho um interesse genuíno e real por Cristo ou não; e que, quando eu morrer não tenha nada de que me arrepender a respeito de negligências deste tipo.

49. Resolvi a que tal coisa (de não ter afeto por Cristo) nunca aconteça, se eu a puder evitar de alguma maneira.

50. Resolvi que, sempre agirei de tal maneira, que julgarei e pensarei como o faria dentro do mundo vindouro apenas.

51. Resolvi que, agirei de tal forma em todos os sentidos, como iria desejar haver feito quando me achasse numa situação de condenação eterna.

52. Eu, com muita frequência, ouço pessoas duma certa idade avançada falarem como iriam viver suas vidas de novo caso lhes fosse dada uma segunda oportunidade de a tornarem a viver. Eu resolvi viver minha vida agora e já, tal qual eu fosse desejar vivê-la caso me achasse em situação de desejar vivê-la de novo, como eles, caso eu chegue a uma sua idade avançada como a sua.

53. Resolvi apetrechar e aprimorar cada oportunidade, sempre que me possa achar num estado de espírito sadio e alegremente realizado, para me atirar sobre o Senhor Jesus numa reentrega também, para confiar nEle, consagrando-me a mim mesmo inteiramente a Ele também nesse estado de espírito; que a partir dali eu possa experimentar que estou seguro e assegurado, sabendo que persisto a confiar no meu Redentor mesmo assim.

54. Sempre que ouvir falar algo sobre alguém que seja digno de louvor e dignificante e o possa ser em mim também, resolvi tudo encetar para conseguir o mesmo em mim e por mim. 

55. Resolvi tudo fazer como o faria caso já tivesse experimentado toda a felicidade celestial e todos os tormentos do inferno.

56. Resolvi nunca desistir de vencer por completo qualquer de minhas veleidades corruptas que ainda possam existir, nem nunca tornar-me permissivo em relação ao mínimo de suas aparências e sinais, nem tão pouco me desmotivar em nada caso me ache numa senda de falta de sucesso nessa mesma luta.

57. Resolvi que, quando eu temer adversidades ou maus momentos, irei examinar-me e ver se tal não se deve a: não ter cumprido todo meu dever e cumprir a partir de então; e permitir que tudo o mais em minha vida seja providencial para que eu possa apenas estar e permanecer inteiramente absorvido e envolvido com meu dever e meu pecado diante de Deus e dos homens.

58. Resolvi a não apenas extinguir nem que seja algum leve ar de antipatia, simpatia fingida que encobre meu estado de espírito, impaciência em conversação, mas também e antes poder exprimir um verdadeiro estado de amor, alegria e bondade em todos os meus aspectos de vida e conversação.

59. Resolvi que, sempre que me achar consciente de provocações de má natureza e de mau espírito, que me esforçarei para antes evidenciar o oposto disso mesmo, em boa natureza e maneira; sim, que em tempos tal qual esses, manifestar a boa natureza de Deus, achando, no entanto, que em algumas circunstâncias tal comportamento me traga desvantagens e que, também, em algumas outras circunstâncias, seja mesmo imprudente agir assim.

60. Resolvi que, sempre que meus próprios sentimentos comecem a comparecer minimamente desordenados, sempre que me tornar consciente da mais ligeira inquietude interior, ou a mínima irregularidade exterior, me submeterei de pronto à mais estrita e minuciosa examinação e avaliação pessoal. 

61. Resolvi que a falta de predisposição nunca me torne relaxado nas coisas de Deus e que nunca consiga retirar minha atenção total de estar plenamente fixada e afixada só em Deus, exista a desculpa que existir para me tentar; tudo que a fala de predisposição me instiga a fazer, abre-me o caminho do oposto para fazer.

62. Resolvi a nunca fazer nada a não ser como dever; e, depois, de acordo com Efésios 6:6-8, fazer tudo voluntariosamente e alegremente como que para o Senhor e nunca para homem; “ Sabendo que cada um, seja escravo, seja livre, receberá do Senhor todo bem que fizer”. 

63. Supondo que nunca existiu nenhum indivíduo neste mundo, em nenhuma época do tempo, que nunca haja vivido uma vida cristã perfeita em todos os níveis e possibilidades, tendo o Cristianismo sempre brilhante em todo o seu esplendor, e parecendo excelente e amável, mesmo sendo essa vida observada de qualquer ângulo possível e sob qualquer pressão, eu resolvi agir como se pudesse viver essa mesma vida, mesmo que tenha de me esforçar no máximo de todas as minhas capacidades inerentes e mesmo que fosse o único em meu tempo. 

64. Resolvi que quando experimentar em mim aqueles “gemidos inexprimíveis”, Romanos 8:26, os quais o Apóstolo menciona e dos quais o Salmista descreve como, “ A minha alma se consome de anelos por tuas ordenanças a todo o tempo ”, Salmos 119:20, que os promoverei também com todo vigor existente em mim e que não me “cansarei” (Isaías 40:31) no esforço de dar expressão a meus desejos tornados profundos nem me cansarei de repetir esses mesmos pedidos e gemidos em mim, nem de o fazer numa seriedade contínua.

65. Resolvi que, me tornarei exercitado em mim mesmo durante toda a minha vida, com toda a franqueza que é possível, a sempre declarar meus caminhos a Deus e abrir toda a minha alma a Ele: todos os meus pecados, tentações, dificuldades, tristezas, medos, esperanças, desejos e toda outra coisa sob qualquer circunstância. Tal como o Dr. Manton diz em seu sermão nr.27, baseado no Salmo 119.

66. Resolvi que, sempre me esforçarei para manter e revelar todo o lado benigno de todo semblante e modo de falar em todas as circunstâncias de toda a minha vida e em qualquer tipo de companhia, a menos que o dever de ser diferente exija de mim que seja de outra maneira.

67. Resolvi que, depois de situações aflitivas, avaliarei em que aspectos me tornei diferente por elas, em quais aspectos melhorei meu ser e que bem me adveio através dessas mesmas situações.

68. Resolvi confessar abertamente tudo aquilo em que me acho enfermo ou em pecado e também confessar todos os casos abertamente diante de Deus e implorar a necessária condescendência e ajuda dele até nos aspectos religiosos.

69. Resolvi fazer tudo aquilo que, vendo outros fazerem, eu possa haver desejado ter sido eu a fazê-lo. 

70. Que haja sempre algo de benevolente toda vez que eu fale. 





Tradução livre: José Mateus (Portugal)
Julho/2004


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Espirito Santo

6. O Espírito Santo
Índice
6.1 O Espírito Santo (Paráclito)
6.2 A Dinvidade do Espírito Santo
6.3 A Personalidade do Espírito Santo 
6.4  O testemunho Interior do Espírito Santo
6.5 Iluminação - O Espírito Santo dá Entendimento Espiritual
6.6 O Espírito Santo como Santificador
6.7 Dons Espirituais - O Espírito Santo prepara a Igreja
6.8 O Batismo do Espírito Santo 
6.9 A Importância da Obra do Espírito Santo
 Todos os estudos bíblicos podem ser baixados em PDF no anexo localizado no fim desta página.
6.1 O Espírito Santo (Paráclito)
O Espírito Santo Ministra aos crentes

"Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar." Jo 16.13,14

Antes da paixão de Jesus. Ele prometeu que o Pai e Ele enviariam a seus discípulos "outro Consolador" (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7). O Consolador ou Paráclito (ou Paracleto, da palavra grega parakletos, que significa o que dá auxilio), é um ajudador, conselheiro. fortalecedor, estimulador, aliado e advogado. Outro única que Jesus foi o primeiro Paráclito e está prometendo um substituto, que, após sua partida, continuará o ensino e o testemunho que Ele havia iniciado (Jo 16.6,7).

O ministério do Paráclito, por sua própria natureza, é um ministério pessoal e relacional, implicando a plena pessoalidade de quem o consuma. Embora o Velho Testamento tenha dito muito acerca da atividade do Espírito na Criação (por exemplo, Gn 1.2; Sl 33.6), na revelação (p. ex., Is 61.1-6; Mq 3.8), na capacitação para o serviço (p. ex., Êx 31.2-6; Jz 6.34; 15.14,15; Is 11.2), e na renovação interior (p. ex., Sl 51.10-12; Ez 36.25-27), ele não torna claro que o Espírito é uma Pessoa divina distinta. No Novo Testamento, contudo, fica claro que o Espírito é verdadeiramente uma Pessoa distinta do Pai, assim como é o Filho. isto é evidente não somente pela promessa de "outro Consolador", mas também pelo fato de que o Espírito, entre outras coisas, fala (At 1.16; 8.29; 10.19; 11.12; 13.2; 28.25), ensina (Jo 14.26), testemunha (Jo 15.26), busca (1 Co 2.10,11), determina ( 1 Co 12.11), intercede (Rm 8.26,27), é alvo de mentira (At 5.3), e pode ser afligido (Ef 4.30). Somente de um ser pessoal podem ser ditas tais coisas.

A divindade do Espírito surge da declaração de que mentir ao Espírito é mentir a Deus (At 5.3,4), e da associação do Espírito com o Paia e o Filho nas bênçãos ( 2 Co 13.14; Ap 1.4-6) e  na fórmula do batismo (Mt 28.19). O Espírito é chamado "os sete espíritos" em Apocalipse 1.4; 3.1; 4.5; 5.6, em parte, parece, porque sete é um número que significa a perfeição divina e, em parte, porque o Espírito ministra em sua plenitude.

Portanto, o Espírito é "Ele", não "ele", e deve ser obedecido, amado e adorado, juntamente com o Pai e o Filho.

Testemunhar a Jesus Cristo, glorificá-lo, mostrando a seus discípulos quem e o que Ele é (Jo 16.7-15), e fazê-los cônscios do que são nele (Rm 8.15-17; Gl 4.6) é o ministério central do Paráclito. O Espírito nos ilumina (Ef 1.17,18), regenera (Jo 3.5-8), guia-nos à santidade (Rm 8.14; Gl 5.16-18), transforma-nos (2 Co 3.18; Gl 5.22,23), dá-nos certeza ( (Rm 8.16), e dons para ministério ( 1 Co 12.4-11). Todo trabalho de Deus em  nós, tocando nosso corações, nosso caráter e nossa conduta,  é feito pelo Espírito, embora aspectos desse trabalho sejam, às vezes, atribuídos ao Pai e ao Filho, de quem o espírito é executivo.

O pleno ministério do Espírito começa na manhã do Pentecostes, logo depois da ascensão de Jesus (At 2.1-40, João Batista predisse que Jesus batizaria com Espírito Santo ( Mc 1.8; Jo 1.33), de acordo com a promessa do Velho Testamento de um derramamento do Espírito de Deus nos últimos dias (Jl 2.28-32; cf. jr 31.31-34), e Jesus havia repetido a promessa (At  1.4,5). A significação da manhã do Pentecostes foi duplo: ela  marcou o início da era final da história do mundo antes do retorno de Cristo, e, comparada com a era do Velho Testamento, marcou uma formidável intensificação do ministério do Espírito e da experiência de viver para Deus.

Os discípulos de Jesus foram evidentemente crentes nascidos  do Espírito antes do Pentecostes, de sorte que seu batismo no Espírito, que trouxe poder à sua vida e ministério (At 1.8),  não foi o começo de sua experiência espiritual. Para todos, porém, que chegaram à fé desde a manhã do Pentecostes, começando com os convertidos naquele evento, o recebimento do Espírito na plena bênção da nova aliança tem sido um aspecto de sua conversão  e novo nascimento (At 2.37; Rm 8.9. 1 Co 12.13). Todas as aptidões para o serviço que surgem subseqüentemente na vida de um cristão devem ser vistas como a seiva emanada desse batismo espiritual inicial, que une vitalmente o pecador ao Cristo ressurreto.

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, pg. 135, Ed. Cultura Crista. Compre este livro em http://www.cep.org.br

6.2 A Dinvidade do Espírito Santo

Gn 1.12; At 5.3,4; Rm 8.9-17; 1 Co 6.19,20; Éf 2.19-22

Na liturgia da Igreja, freqüentemente ouvimos as palavras: "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, amém". Esta expressão é uma fórmula trinitariana que atribui divindade a todas as três pessoas da Trindade.

Semelhante, cantamos:
Glória seja dada ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no principio, é hoje e para todos sempre, eternamente. Amém, Amém.

Este cântico atribui glória eterna às três pessoas da Trindade. O Espírito Santo recebe glória junto com o Pai e o Filho.

Enquanto a divindade de Cristo foi debatida durante séculos e o debate continua ainda hoje, a divindade do Espírito Santo geralmente é aceita na Igreja. A razão pela qual a divindade do Espírito Santo nunca tenha sido alvo da controvérsia, talvez seja porque nunca assumiu a forma humana.

A Bíblia claramente representa o Espírito Santo como possuindo atributos divinos e exercendo autoridade divina. Desde o século IV, praticamente todos os que concordam que ele é uma pessoa também concordam que o Espírito é divino.

No Antigo Testamento, o que se diz de Deus  freqüentemente também se  diz do Espírito de Deus. As expressões "Deus disse" e o "Espírito disse" são repetidamente intercambiadas. Estes padrão continua no Novo Testamento; talvez em nenhum outro texto isso fique tão claro como em Atos 5.3,4, onde Pedro diz: "Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao  Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?... Não mentiste aos  homens, mas a Deus". Resumindo, mentir ao Espírito Santo é o mesmo que ao próprio Deus.

As Escrituras também se referem aos atributos divinos do Espírito Santo. Paulo escreve sobre a onisciência do Espírito em 1 Coríntios 2.10,11: "Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”. O salmista atesta sobre a onipresença do Espírito no Salmo 139.7,8: "Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também;" . O Espírito também operou na criação, movendo-se sobre a face das águas (Gn 1.1,2).

Como uma declaração conclusiva sobre a divindade do Espírito Santo, temos a bênção de Paulo no final da sua segunda carta aos Coríntios: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós." (2 Co 13.13).

Sumário
1. A liturgia da igreja atribui divindade ao Espírito Santo.

2. O Antigo Testamento reconhece atributos e autoridades divinos do Espírito Santo.

3. O Novo Testamento reconhece atributos divinos do Espírito Santo.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em http://www.cep.org.br

6.3 A Personalidade do Espírito Santo 
Jo 16.13; 2 Co 13.13; 1 Tm 4.1; Tg 4.5; 1 Jo 5.6

"Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo." (Jo 16.7,8)

Na noite em que minha esposa se converteu a Cristo, ela exclamou: "Agora eu  sei quem é o Espírito Santo". Antes daquele momento, ela pensava no Espírito como uma "coisa" e não como um ser pessoal.

Quando falamos da personalidade do Espírito Santo, queremos dizer que o Terceiro Membro da Trindade é uma pessoa e não  uma força. Isso é muito claro nas Escrituras, onde só pronomes pessoais são usados em referência ao Espírito. Em João 16.13, Jesus disse: "Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.".

Visto que o Espírito Santo é uma pessoal real e distinta, e não uma força impessoal, podemos experimentar uma relacionamento pessoal com ele. Paulo  abençoa a igreja de Corinto de uma maneira que enfatiza isso: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós." (2 Co 13.13 - ou em algumas versos 2 Co 13.14). Ter comunhão com alguém é entrar em  relação pessoal com ele. Além disso, somos intimados a não pecar contra, resistir ou entristecer o Espírito Santo. Forças impessoais não podem ser "entristecidas". Tristeza só pode ser experimentada por um ser pessoal.

O Espírito Santo é uma pessoa, e por isso é correto orar a ele. Seu papel na oração é nos assistir, para nos expressarmos adequadamente ao Pai. Assim como Jesus intercede por nós como Sumo Sacerdote, também o Espírito Santo intercede por nós em oração.

Finalmente, a Bíblia fala do Espírito Santo desempenhado tarefas que só pessoas podem desempenhar. O Espírito conforta, guia e ensina os eleitos (ver Jo 16). Essas atividades são feitas de uma maneira que envolve inteligência, vontade, sentimentos e poder. Ele sonda, escolhe, revela, conforta, convence e admoesta.Somente uma pessoa poderia fazer tais coisas. A resposta do cristão, portanto, não é mera afirmação de que tal ser existe, mas antes, obedecer, amar e adorar o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade.

Sumário

1. O Espírito Santo é uma pessoa, não uma força impessoal.

2. A Bíblia usa pronomes pessoas ao referir ao Espírito Santo.

3. A obra do Espírito Santo tanto requer como exibe personalidade.

4. O cristão experimenta um relacionamento pessoal com o Espírito Santo.

5. o Espírito Santo deve ser cultuado e obedecido.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em http://www.cep.org.br

6.4 O testemunho Interior do Espírito Santo
Jo 15.13; At 5.32; At 15.28; Rm 8.16; Gl 5.16-18

"E nós somos testemunhas destas coisas, e bem assim o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem." At 5.32

Em qualquer tribunal de júri que inclua testemunhas, o depoimento delas é crucial para o caso. O testemunho é importante porque destina-se a ajudar-nos a chegarmos à verdade sobre o caso. Em alguns julgamentos, o depoimento de algumas testemunhas é questionado em razão de o caráter delas ser suspeito.  O testemunho de um psicopata mentiroso tem pouquíssimo valor. Para que o testemunho tenha credibilidade, a testemunha precisa ser confiável.

Quando Deus testifica sobre a verdade de alguma coisa, seu testemunho é certo e totalmente inquestionável. O testemunho que tem Deus como autor não pode falhar. Ele é de fato um testemunho infalível. Procede do caráter mais elevado possível, da fonte mais profunda de conhecimento e da mais suprema autoridade. A confiabilidade do testemunho de Deus fez Lutero certa vez declarar: "O Espírito Santo não é cético." As verdades que p Espírito Santo revela são maus certas do que a própria vida.

João Calvino ensinava que apesar de as Escrituras  manifestarem sinais claros e inquestionáveis da sua autoridade divina e exibir evidências satisfatórias de sua origem divina, essas evidências não nos persuadem plenamente até que,  ou a menos que, sejam seladas em nosso coração por meio do testemunho interior do Espírito Santo. Calvino reconhecia a diferença entre prova e persuasão. Mesmo que sejamos capazes de oferecer provas objetivas e conclusivas sobre a verdade das Escrituras, isso não é garantia de que as pessoas irão crer nelas, aceitá-las ou abraçá-las. Para que sejamos persuadidos quanto à verdade das Escrituras, precisamos de ajuda do testemunho interior do Espírito. Ele nos leva a concordar com as evidências irrefutáveis da verdade da Bíblia ou aceitá-las.

E seu testemunho interior, o Espírito Santo não oferece nenhuma informação nova e secreta, nem nenhum argumento mais engenhosos ao qual não podemos ter acesso por outros meios. Pelo contrário, ele opera em nosso espírito para quebrar e vencer nossa resistência à verdade de Deus. Ele nos move a redermos-nos ao ensino claro da Palavra de Deus e a abraçá-la cheios de confiança.

O testemunho interior do Espírito não é uma figura para misticismo nem um escape para o subjetivismo, onde os sentimentos pessoais são elevados à condição de autoridade absoluta. Existe uma diferença crucial entre o testemunho do Espírito Santo ao nosso espírito e o testemunho humano do nosso próprio espírito. O testemunho do Espírito Santo é a Palavra de Deus. Chega a nós com a Palavra e através da Palavra. Não é um testemunho separado ou desprovido da Palavra.

Assim como o Espírito Santo testifica ao nosso espírito de que somos filhos de Deus, confirma sua Palavra a nós (Rm 8.16), assim ele também nos assegura intimamente que a Bíblia é a Palavra de Deus.

Sumário
1. O testemunho de Deus é totalmente confiável.

2. A Bíblia oferece evidências objetivas de que é a Palavra de Deus.

3. Não somos totalmente persuadidos quanto à verdade das Escrituras sem o testemunho do Espírito Santo.

4. O testemunho interior do Espírito não oferece argumento novo à mente, mas opera em nosso coração e em nosso espírito nos levando a aceitarmos as evidências que já estão lá.

5.  A doutrina do testemunho interno do Espírito Santo não é uma licença para acreditarmos que tudo o sentimos ser verdadeiro é de fato verdadeiro.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro http://www.cep.org.br

6.5 Iluminação
O Espírito Santo dá Entendimento Espiritual

"O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente."1 Coríntios 2.14

O conhecimento das coisas divinas, para o qual os cristãos são atraídos, é mais do que uma intimidade formal com as palavras bíblicas e as idéias cristãs. É uma conscientização da realidade e relevância das atividades do Deus triúno, as quais a Escritura testifica. Tal conscientização não é normal nas pessoas, por mais familiaridade que tenham com as idéias cristãs (como o homem sem o Espírito em 1 Co 2.14, que não aceita o que os cristãos lhe dizem, ou os cegos guias de cegos, de quem Jesus falou tão causticamente em Mt 15.14, ou Paulo antes do seu encontro com Jesus na estrada de Damasco). Somente o Espírito Santo, perscrutador das profundezas de Deus (1 Co 2.10), pode efetuar essa conscientização em nossas mentes e corações obscurecidos pelo pecado. É por isso qie é chamada “entendimento espiritual” (espiritual significa “dado pelo Espírito”, Cl 1.9; cf. Lc 24.25; 1 Jo 5.20) . Aqueles que, ao lado de uma sólida instrução verbal, possuem “unção que vem do Santo...(têm) conhecimento da verdade” 1Jo 2.20.

A obra do Espírito de conceder esse conhecimento é chamada “iluminação”. Não é uma nova revelação que esteja sendo dada, mas uma obra dentro de nós que nos capacita a compreender e amar a revelação que está ali diante de nós no texto bíblico ouvido ou lido., e explanado por professores e escritores. O pecado em nosso sistema mental e moral anuvia nossas mentes e vontades, de modo que não compreendemos a força da Escritura e resistimos a ela. Deus parece-nos remoto, ao extremo da irrealidade, e diante da sua verdade somos embotados a apáticos. O Espírito, contudo, abre e desanuvia nossas mentes, sintonizando nossos corações para que compreendamos (Ef 1.17,18; 3.18,19; 2 Co 3.14-16; 4.6). Como pela iluminação é, pois, a aplicação da verdade revelada de Deus aos nossos corações, a fim de que apreendamos como realidade para nós o que o texto sagrado anuncia.

A iluminação, que é um ministério permanente do Espírito Santo aos cristãos, inicia antes da conversão com uma crescente compreensão da verdade acerca de Jesus Cristo e uma crescente sensação de estar sendo avaliado e exposto por ela. Jesus disse que o Espírito “convenceria o mundo” do pecado de não crer nele, do fato de Ele estar à direita de Deus Pai (como seu bom acolhimento na volta ao céu o provou), e da realidade do julgamento tanto aqui como na vida futura (Jô 16.8-11). Este convencimento triplo é ainda o meio de Deus fazer que o pecado seja repulsivo e Cristo adorável aos olhos das pessoas que antes amavam o pecado e não tinham nenhum interesse pelo divino Salvador.

A forma de ser plenamente beneficiado pelo ministério da iluminação do Espírito é o estudo sério da Bíblia, a oração séria e a séria correspondência obediente a todas e quaisquer verdades que já tenham sido expostas. Isto corresponde à máxima de Lutero sobre as três coisas que fazem um teólogo: oratio (oração), meditatio (pensar na presença de Deus sobre o texto), e tentatio (provação, a luta pela fidelidade bíblica diante da pressão para desatender o que a Escritura diz).

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista. Compre este livro em http://www.cep.org.br 

6.6 O Espírito Santo como Santificador
Jo 15.26; 2 Co 3.17,18; Gl 4.6; Fp 2.12,13; 1 Pe 1.15,16

Deus chama todas as pessoas para espelharem e refletirem o caráter dele: "segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santo também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo" (1 Pe 1.15,16). Nosso problema é que não somos intrinsecamente santos; somos profanos. Mesmo assim, a Bíblia se refere a nós com "os santos". Visto que a santidade não se encontra em nós, temos de nos tornar santo. É o Espírito Santo quem opera para  nos tornar santos, para nos conformar com a imagem de Cristo. Como a Terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo não é mais do que Pai e o Filho, muito embora não falemos do Pai Santo e do Filho Santo e do Espírito Santo. O Espírito de Deus é chamado de Espírito Santo não tanto por causa da sua pessoa (a qual de fato é santa), mas por causa de sua obra de nos fazer santos.

Esta é a obra especial do Espírito Santo: nos fazer santos. Ele nos consagra. O Espírito Santo cumpre a função de santificação. Ser santificado significa ser feito santo, ou justo. A santificação é um processo que começa no momento em que nos tornamos cristãos. Esse processo continua até a morte, quanto finalmente o crente torna-se total e eternamente justo.

A fé  reformada é distintiva em sua ênfase sobre a obra exclusiva do Espírito Santo na regeneração. Nós não cooperamos com o Espírito no Novo Nascimento. Rejeitamos totalmente qualquer noção de esforço cooperativo na regeneração do crente. A santificação, entretanto, é outro assunto. Nossa santificação é uma obra conjunta, de cooperação. Temos de trabalhar junto com o Espírito Santo para crescermos em santificação. O apóstolo Paulo expressou esta idéia em sua carta à igreja de Filipos:

"De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor;  Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." (Fp 2.12,13)

O chamado à cooperação é algo que envolve esforço. Temos de labutar com empenho. Labutar com temor não pressupõe um espírito de terror, mas de reverência associada à diligência. Somos consolados com o conhecimento de que não somos deixados sozinhos nessa tarefa, ou entregues aos nossos próprios esforços. Deus está operando em nosso íntimo para realizar nossa santificação.

O Espírito Santo habita no crente, operando para produzir uma vida e um coração mais justo. Devemos ser cuidadosos, entretanto, para não confundir habitação do Espírito com algum tipo de deificação do indivíduo. O Espírito está no crente e age com o crente, mas não se converte no crente. O Espírito trabalha para produzir seres humanos santificados - não criaturas deificadas. Quando o Espírito habita em nós, ele não se torna humano e nós não nos tornamos deuses. O Espírito Santo não destrói nossa identidade pessoal como seres humanos. Em nossa santificação, devemos nos tornar semelhantes a Deus quanto ao caráter não quanto à essência.

Sumário

1. Deus nos chama para refletirmos sua santidade.

2. Tornarmo-nos santos requer que recebamos santidade de fora de nós mesmos.

3. O Espírito Santo se chama santo por causa obra como nosso santificador.

4. A santificação é um processo que dura à vida toda.

5. A santificação é uma obra cooperativa, envolvendo o crente e o Espírito Santo.

6. A habitação do Espírito Santo em nós não opera nossa deificação.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em http://www.cep.org.br 

6.7 Dons Espirituais
O Espírito Santo prepara a Igreja

"E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo... E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho de seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo." Efésios 4.7,11,12

O Novo Testamento retrata as igrejas locais, em que alguns cristãos exercem ofícios ministeriais formais e oficiais (presbíteros-supervisores e diáconos, Fp 1.1), enquanto todos desempenham serviços em papéis informais. O ministério de cada membro no corpo de Cristo é o ideal neotestamentário. É claro que os oficiais que supervisionam não devem restringir os ministérios informais, mas sim facilitá-los (Ef 4.11-13), do mesmo modo que é claro que os que ministram informalmente não devem permitir que os supervisores dirijam seus ministérios por meios que sejam ordeiros e edificadores (isto é, confortando e edificando, 1 Co 14.3-5, 12, 26, 40; Hb 13.17). O corpo de Cristo cresce na maturidade em fé e amor, “segundo a justa cooperação de cada parte” (Ef 4.16) e cumpre sua forma de serviço doadora de graça (Ef 4.7,12).

A palavra dom (literalmente “dádiva” ou “doação”) aparece em conexão co serviço espiritual somente em Efésios 4.7,8. Paulo explica a frase Ele... concedeu dons aos homens referindo-se ao Cristo assunto ao céu dando à sua igreja pessoas chamadas e preparadas para o ministério de apóstolo, profeta, evangelista e pastor-mestre. Outrossim, por meio do ministério capacitador desses oficiais, Cristo está concedendo um papel ministerial de uma forma ou de outra a cada cristão. Em outras partes (Rm 12.4-8; 1 Co 12-14), Paulo chama esses poderes dados divinamente para servir charismata (dons que são manifestações específicas de charis ou graça, o amor ativo e criativo de Deus, 1 Co 12.4), e também pneumatika (dons espirituais como demonstrações específicas da energia do Espírito Santo, pneuma de Deus, 1 Co 12.1).

Entre as muitas obscuridades e questões debatidas com respeito ao charismata do Novo Testamento, três certezas despontam. Primeira, um dom espiritual é uma capacidade de certa forma de expressar, celebrar, expor e, portanto, transmitir Cristo. Sabemos que os dons, corretamente usados, edificam os cristãos e as igrejas. Mas somente o conhecimento de Deus em Cristo edifica; portanto, cada charisma deve ser uma capacitação de Cristo para mostrar Cristo e participar dele de um modo edificante.

Segundo, os dons são de dois tipos. Há dons de falar e de amar, de ajuda prática. Em Romanos 12.6-8, a lista de Paulo sobre os dons alterna entre as categorias: um, três e quatro (profetizar, ensinar e exortar) são dons de falar; itens dois, cinco seis e sete (servir, dar, guiar e mostrar misericórdia) são dons de ajuda. A alternância implica que nenhuma idéia de superioridade de um dom sobre o outro pode ser introduzida. Apesar do quanto os dons diferem como formas de atividade humana, todos são de igual dignidade, e a única questão é se o cristão usa apropriadamente o dom que possui (1 Pe 4.10,11).

Terceiro, nenhum cristão é falto de dom (1 Co 12.7; Ef 4.7), sendo responsabilidade de todos encontrar, desenvolver e usar plenamente quaisquer capacidade para o serviço que Deus lhes concedeu.

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista. Compre este livro em http://www.cep.org.br

6.8 O Batismo do Espírito Santo 
Jl 2.28,29; Jo 7.37-39; At 2.1-11; 1 Co 12; 1 Co 14.26-33

"E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado." Jo 7.39

"Você já recebeu o batismo do Espírito Santo?" Uma pessoa que se torna cristã em nossos dias mais cedo ou mais tarde ouvirá esta pergunta. Tal pergunta geralmente é feita pelos cristãos carismáticos, os quais são entusiastas a respeito das  experiências que têm com o Espírito Santo..

Uma doutrina que antigamente era mais confinada às igrejas Pentecostais e à Assembléia de Deus agora tem se tornado o ponto de central importância para um grande número de crentes. O movimento neo-pentecostal tem alcançado praticamente todas as denominações cristãs. Um senso de empolgação e de avivamento espiritual geralmente acompanha essa nova descoberta da presença e do poder do Espírito Santo na Igreja.

O neo-pentecostalismo procura definir a doutrina do batismo do Espírito Santo com base nas experiências das pessoas. Tal doutrina tem sido amplamente controvertida.

Geralmente, mas não sempre, os cristãos carismáticos consideram o batismo do Espírito Santo como uma segunda obra de graça, distinta e subseqüente à regeneração e à conversão. Os carismáticos estão divididos entre eles mesmos quanto à questão, se falar em línguas é um sinal necessário ou uma manifestação do "batismo".

Os pentecostais apontam para o padrão no livro de Atos, onde os crentes (os quais experimentaram a obra regeneradora do Espírito Santo antes do dia de Pentecostes) foram cheios do Espírito Santo e falaram em línguas. Este padrão bíblico, que inclui um lapso de tempo entre a conversão e o batismo do Espírito, é usado então como norma para todas as épocas.

Os pentecostais estão certos em ver certa distinção entre a regeneração pelo Espírito Santo e o batismo. Regeneração refere-se ao Espírito Santo dando nova vida ao crente - vivificando aquele que estava morto no pecado. O batismo do Espírito Santo refere-se a Deus capacitando seu povo para o ministério.]]Embora a distinção entre a regeneração e o batismo do Espírito Santo seja legítima, transforma o lapso de tempo entre ambos numa norma para todas as gerações é uma atitude improcedente. O padrão normal desde os dia dos apóstolos tem sido que os cristão recebem a capacitação do Espírito Santo juntamente com a regeneração. Não é necessário que o crente busque uma segunda e especifica obra do batismo do Espírito depois da conversão. Todos cristão é cheio do Espírito, numa medida maior ou menor, dependendo da correspondência de consagração a ele.

Outro problema com doutrina pentecostal é que ela tem uma visão incorreta do Pentecostes, o qual é uma "linha divisória" na história do Novo Testamento. No Antigo Testamento, só alguns crentes selecionados foram dotados por Deus com dons para o ministério (ver Nm 11). Este padrão mudou no Pentecostes, quando todos os crentes presentes (todos judeus) receberam o batismo. Semelhantemente, nos derramamentos posteriores, os convertidos samaritanos (At 8), o crentes na casa de Cornélio (At 10) e os discípulos gentios de João Batistas que viviam em Éfeso (At 19), todos receberam o batismo do Espírito.

Os primeiros crentes não acreditavam que os samaritanos, os prosélitos e os discípulos de João Batista pudessem ser cristãos. Desta maneira, o batismo do Espírito Santo serviu como confirmação de sua membresia na Igreja. Visto que cada um desses grupos experimentou o batismo do Espírito Santo da mesma maneira que os judeus experimentaram no Pentecostes, a inclusão deles na Igreja era inquestionável. O próprio Pedro foi o primeiro a experimentar isso. Quando viu o Espírito Santo descer sobe os gentios tementes a deus na casa de Cornélio, ele concluiu que não havia nada que impedisse que fossem aceitos plenamente como membros da Igreja. Pedro disse: "Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?" (At 10.47).

Os episódios subseqüentes do batismo do Espírito Santo, depois do Pentecostes devem ser entendidos como uma extensão do Pentecostes, por meio do qual todo o Corpo recebeu dons para o ministério. Na igreja do Novo testamento nem todos os cristãos falaram em línguas, mas todos os cristãos receberam dons do Espíritos Santo. Desta maneira, se cumpriu a profecia de Joel (At 2.16-21).

Sumário
1. O batismo do Espírito Santo é uma obra distinta da qual o Espírito dota os crentes com dons para o ministério.

2. No livro de Atos, o Espíritos Santo foi derramado sobre quatro grupos (judeus, samaritanos, prosélitos e gentios), indicando que todos estavam incluídos na igreja.

3. O Pentecostes cumpre a profecia do Antigo Testamento de que o Espírito seria derramando sobre todos os crentes e não sobre um grupo restrito.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em http://www.cep.org.br



Para esse estudo sobre O Batismo do Espírito Santo, veja este dois vídeos abaixo com a perfeita, clara e bíblica exposição do Grande Homem de Deus, Rev. Augustus Nicodemus Lopes

O Batismo com o Espirito Santo - Parte 01 de 02 - Rev. Augustus Nicodemus Lopes


O Batismo com o Espirito Santo - Parte 02 de 02 - Rev. Augustus Nicodemus Lopes

6.9 A Importância da Obra do Espírito Santo
Mas a obra do Espírito Santo é realmente importante?
Importante! E tão importante que se não fosse pela ação do Espírito Santo não haveria Evangelho, nem fé, nem Igreja e nem cristianismo no mundo.
Em primeiro lugar: sem o Espírito Santo não haveria Evangelho nem Novo Testamento.
Quando Cristo deixou o mundo, entregou sua causa aos discípulos. Deu-lhes a responsabilidade de ir e fazer discípulos em todas as nações, "E vocês também testemunharão", disse-lhes no cenáculo 0o 15:27). "E serão minhas testemunhas [...] até aos confins da terra" foram suas palavras de despedida no monte das Oliveiras antes da ascensão (At 1:8). Esta foi a tarefa que lhes confiou, mas que tipo de testemunhas seriam? Não tinham sido bons alunos; conseqüentemente não conseguiam entendê-lo, e não compreenderam seus ensinamentos durante seu ministério na terra; como poderiam esperar melhorar agora, depois de sua partida? Não era certo que eles logo estariam misturando a verdade do Evangelho com uma série de equívocos bem-intencionados, e seu testemunho seria rapidamente reduzido a uma confusão distorcida e deturpada, embora possuíssem boa vontade?
A resposta a essa pergunta é negativa, porque Cristo enviou o Espírito Santo para lhes ensinar todas as verdades, livrando-os de erros, recor-dando-lhes as coisas aprendidas e revelando-lhes o restante do que o Senhor queria ensinar. "[...] o Conselheiro [...] lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse" 0o 14:26). "Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora. Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que tiver ouvido" — isto é, o Espírito lhes esclareceria a eles tudo o que Cristo lhe dissesse, do mesmo modo como Cristo lhes mostrara as coisas que o Pai queria que ele transmitisse (v. Jo 12:49; 17:8,14) — "e lhes anunciará o que está por vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido" (16:12-14). Deste modo "ele testemunhará a meu respeito" — a vocês, meus discípulos, a quem o enviarei — "e" — equipados e capacitados pela sua atuação — "vocês também testemunharão [...]" (15:26,27).
A promessa consistia em que, ensinados pelo Espírito, esses primeiros discípulos seriam capacitados como porta-vozes de Cristo. À semelhança dos profetas que no Antigo Testamento começavam seus sermões com as palavras "Assim diz o Senhor Jeová", no Novo Testamento os apóstolos poderiam, com igual autoridade, afirmar em seus ensinamentos orais ou escritos "Assim diz o Senhor Jesus Cristo".
E foi o que aconteceu. O Espírito veio sobre os discípulos e testemunhou-lhes de Cristo e sua salvação de acordo com a promessa feita. Referindo-se às glórias desta salvação ("o que Deus preparou para aqueles que o amam"), Paulo escreve:
... Deus o revelou a nós por meio do Espírito [...] porém [...] recebemos [...] o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente. Delas também falamos [e ele poderia ter acrescentado escrevemos] não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito. I Coríntios 2:9-13
O Espírito testificou aos apóstolos revelando-lhes toda a verdade e inspirando-os a transmiti-la com toda a fidelidade. Por essa razão temos o Evangelho e o Novo Testamento. Mas o mundo não teria os dois sem o Espírito Santo.
E isto não é tudo. Em segundo lugar, sem o Espírito Santo não haveria fé, nem novo nascimento — em resumo, não haveria cristãos.
A luz do Evangelho brilha, mas "O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes" (2Co 4:4), e o cego não reage ao estímulo da luz. Como Cristo explicou a Nicodemos: "Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo" (Jo 3:3; cf. v. 5). Falando por si mesmo e por seus discípulos a Nicodemos e a toda classe de pessoas religiosas não-regeneradas, à qual Nicodemos pertencia, Cristo continuou explicando que a conseqüência inevitável da não-regeneração é a descrença: "[...] vocês não aceitam nosso testemunho" (v. 11). O Evangelho não produziu neles convicção alguma; a incredulidade os mantinha irredutíveis. O que aconteceu então? Devemos concluir que é perda de tempo pregar o Evangelho, e que a evangelização deve ser riscada como um empreendimento sem esperança, fadado ao fracasso? Não, porque o Espírito habita com a Igreja para dar testemunho de Cristo. Aos apóstolos, como já vimos, ele se manifestou revelando e inspirando. Aos outros homens, durante séculos, ele se manifesta iluminando, abrindo os olhos vendados, restaurando a visão espiritual, capacitando os pecadores a perceber que o Evangelho é realmente a verdade divina, as Escrituras são a Palavra de Deus e Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus. "Quando ele [o Espírito] vier", o Senhor prometeu, "convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo" (16:8).
Não devemos pensar que podemos provar a verdade do cristianismo por meio de nossos argumentos; ninguém, a não ser o Espírito Santo, pela própria obra poderosa de renovação do coração endurecido, pode provar essa verdade. É prerrogativa soberana do Espírito Santo de Cristo convencer a consciência das pessoas sobre a verdade do Evangelho de Cristo; e a testemunha humana de Cristo deve aprender a basear sua esperança de sucesso não em brilhantes apresentações da verdade pelo ser humano, mas na poderosa demonstração da verdade pelo Espírito.
Paulo mostra o caminho. "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria [...] A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana e sim no poder de Deus" (1Co 2:1-5). Os homens crêem quando o Evangelho é pregado porque o Espírito se manifesta desse modo. Mas sem o Espírito não haveria um só cristão no mundo.
Autor: J. I. Packer
Fonte: O Conhecimento de Deus, Editora Mundo Cristão, Cap. 6. Compre este maravilhosos livro em www.mundocristao.com.br

Quem sou eu

Minha foto
Mogi das Cruzes, São Paulo, Brazil
Servo e Discipulo do Senhor Jesus Cristo, congrego desde Janeiro de 2013 na Congregação Presbiterial de Jundiapeba filiada a Igreja Presbiteriana Unida de Suzano, Igreja Presbiteriana do Brasil, Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo. Este Canal não é oficial da IPB, que somente disponibiliza videos dos cultos, reuniões, trabalhos da IP de Jundiapeba - IPJ.

Saudações, você entrou no blog de Marcel Lopes Batista

Irmãos.blog.online

(WC) Wikipedia Calvinista

Resultados da pesquisa

Cinco Pontos do Calvinismo

Cinco Pontos do Calvinismo
A salvação vem do Senhor